Ferramentas DAPP

Lágrimas de Obama centralizam debate sobre o porte de armas nos EUA

A postura emocionada de Barack Obama para anunciar iniciativas que dificultem o acesso a armas nos Estados Unidos — em combate aos frequentes assassinatos em massa no país — se destacou como o principal tópico de debate no Twitter, tanto entre críticos quanto entre defensores do presidente americano. O ‘choro’ de Obama, inclusive, obteve repercussão […]

há 2 anos por Ricardo Faria

A postura emocionada de Barack Obama para anunciar iniciativas que dificultem o acesso a armas nos Estados Unidos — em combate aos frequentes assassinatos em massa no país — se destacou como o principal tópico de debate no Twitter, tanto entre críticos quanto entre defensores do presidente americano. O ‘choro’ de Obama, inclusive, obteve repercussão maior que a pauta central da coletiva de imprensa feita na noite de terça-feira, 05 de janeiro: o controle do porte de armas de fogo por cidadãos, um tema muito sensível para republicanos e democratas no país.

A pesquisa feita pela FGV/DAPP no Twitter coletou mais de 1,4 milhão de publicações entre a 0h de o4 de janeiro e as 15h de 06 de janeiro (horários de Brasília), em português e em inglês. O anúncio provocou um intenso debate nas redes acerca da constituição do país, da autenticidade do ‘choro’ de Obama e do lobby de armas. Destacou-se, acima de tudo, o conflito criado pelas acusações de ‘dramaticidade’ e de ‘fraqueza’ do presidente. Num apelo ao Congresso, o chefe de estado comoveu-se ao relembrar as vítimas de massacres perpetrados por atiradores.

Enquanto a maioria demonstrou empatia com o presidente, incluindo celebridades como o escritor Stephen King e a comediante Sarah Silverman, críticos questionaram as lágrimas de Obama com teorias conspiratórias e desprezaram-nas como ‘lágrimas de crocodilo’. O jornalista Ben Shapiro, do site de notícias conservador Daily wire, foi retuitado mais de 3 mil vezes ao apelidar o choro de ‘lágrimas de ditador’, numa crítica ao decreto presidencial, que não requer a aprovação do Congresso. O nome da nova legislação, ‘Reforma de Senso Comum de Segurança de Armas’ (‘Common-Sense Gun Safety Reform’, em inglês), foi o alvo de uma postagem satírica com mais de 900 retuítes.

Os tuítes com maior visibilidade na web vieram principalmente de perfis oficiais de atores políticos. Aqueles ligados à presidência — a conta pessoal de Obama, @Barack Obama; da Casa Branca, @WhiteHouse; e do cargo, @POTUS –, que publicaram trechos do discurso em tempo real, encabeçaram a lista. Também os perfis dos candidatos à presidência em 2016 estiveram entre os mais retuitados, posto que o tema opõe republicanos e democratas. O independente Bernie Sanders acusou os republicanos de lealdade maior ao lobby de armas do que às vidas de crianças. O posicionamento de Sanders repercutiu amplamente, atrás somente da declaração de Hillary Clinton, favorita à indicação do partido democrata e que agradeceu a Obama. A segunda emenda à constituição americana, que prevê o direito ao porte de armas, foi citada por quase todos os candidatos republicanos. Donald Trump absteve-se de comentários a respeito, mas figurou entre os nomes mais citados na rede, como se constata na nuvem abaixo.

R Graphics OutputINGLES

Emenda
Entre os defensores da emenda, a Associação Nacional de Rifles (N.R.A.) liderou a oposição nas redes. O perfil @NRA caracterizou o discurso de ‘condescendente’ e o fez por meio da hashtag #2a, em referência à Segunda Emenda (Second Amendment). Aliás, a hashtag #2a foi a segunda mais compartilhada, atrás de #StopGunViolence. No entanto, o escritor Stephen King foi retuitado mais de 1,6 mil vezes ao elogiar Obama por reconhecer que ninguém pretende revogar a emenda, mas sim promover medidas para ‘atenuar a carnificina’.
Tweet Emenda

 

E no Brasil?

R Graphics Output

A repercussão no Brasil superou por pouco a marca dos 10 mil tuítes no mesmo período. Os perfis associados à imprensa brasileira compartilharam os links das respectivas matérias, juntamente com fotos em grande plano de Obama em lágrimas, e estiveram entre os mais retuitados em nível nacional. Porém, um retuíte não significa necessariamente endosso. De fato, demonstrações inequívocas e quantificáveis de posicionamento acerca do controle de armas vieram substancialmente de colunistas conservadores, como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho e Felipe Moura, contrários ao controle de armas. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi um dos mais difundidos ao defender o direito ao porte de armas no Brasil, embora não citando diretamente o discurso de Obama. Intervenções de apoio ao presidente ou ao desarmamento foram esparsas e pouco difundidas.


Veja mais sobre: , , , , ,