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Acidente em Copacabana gera quase 500 tuítes por hora e motiva debate sobre imprudência no trânsito

Levantamento da FGV/DAPP mostra que Detran é a instituição mais citada no debate, aparecendo em 1,5 mil menções no Twitter

há 11 meses por Dalby Dienstbach

Uma pesquisa realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP) mostra que o atropelamento que ocorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na noite da última quinta-feira (18) mobilizou as redes sociais nesse fim de semana. A pesquisa identificou 41,8 mil postagens, entre tuítes e retuítes, referentes ao acidente feitas no Twitter desde as 22h da noite do atropelamento até as 11h desta segunda (22), com uma média de 486 tuítes por hora.

O pico de menções ocorreu entre as 23h de quinta, pouco mais de duas horas após o acidente, e as 3h da madrugada do dia seguinte (19), contabilizando 15,9 mil postagens, ou seja, cerca de 38% do debate. O caso voltou a receber maior atenção entre as 14h e as 16h da sexta-feira, com um total de 4 mil postagens.

Durante o período analisado, a cobertura da imprensa alcançou 7,7 mil postagens, entre tuítes e retuítes, representando 18,4% do debate. O assunto que mais repercutiu, segundo a pesquisa, foi o fato de uma das vítimas do atropelamento ter sido uma bebê de oito meses: 8,5 mil postagens (cerca de 20,3% do debate) fazem menção à morte da criança. Outra vítima do acidente, um australiano de 68 anos, também foi assunto do debate, aparecendo em 447 menções, que comentam, principalmente, o fato de ele estar em estado grave.

Habilitação suspensa e epilepsia

Cerca de 3,9 mil postagens mencionam o fato de o motorista que provocou o acidente ter tido a carteira de habilitação suspensa. Além disso, 2,1 mil tuítes focam no fato de o motorista supostamente sofrer de epilepsia, por conta de medicamentos encontrados dentro do carro pela perícia, informação ele teria omitido ao Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Algumas das postagens (especificamente, 100 menções) atribuem expressamente o acidente a falhas de fiscalização no trânsito e à negligência do motorista.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) é a instituição mais mencionada no debate, aparecendo em 1,5 mil postagens (3,5%). Muitas dessas menções se referem ao fato de o motorista ter omitido ao órgão sobre sofrer de epilepsia; algumas, ainda, culpam o órgão pelo acidente.

Cerca de 500 postagens comentam ainda o fato de o motorista que provocou o acidente responder em liberdade pelos crimes de que é acusado: homicídio culposo (sem intenção de matar), lesões corporais e falsidade ideológica. Muitas dessas postagens condenam essa decisão e exigem justiça, porém, sem mencionar uma instituição específica.

Nesse levantamento, há 20 postagens que relacionam o acidente em Copacabana a outro atropelamento no Lago Norte, em Brasília, D.F., no mesmo dia, porém algumas horas antes. Essas mensagens mencionam que a motorista teria sofrido uma crise de hipoglicemia no momento do acidente. Portadores de diabetes e de epilepsia possuem diretrizes específicas para a condução de veículos, de acordo com a Associação Brasileira de Medicina no Tráfego.

Ainda observa-se que 3,8 mil menções se referem ao suposto fato de o motorista ser funcionário da Rede Globo, por conta de fotos que circularam na internet horas após o acidente. Essa notícia já foi desmentida pela emissora.


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