Análise aponta relação entre números de letalidade e de vitimização policial no país

Dados da ferramenta DataCrime mostram que estado do Rio de Janeiro lidera no número de civis e policiais mortos em 2017

há 9 meses

Associado ao confronto direto entre traficantes e policiais, o aumento da criminalidade nas cidades brasileiras tem sido caracterizado por uma relação diretamente proporcional entre mortes de civis e de policiais. Estudo da FGV DAPP feito a partir de dados da ferramenta DataCrime, que congrega estatísticas sobre violência, efetivo e cárcere nos estados brasileiros, mostra que há uma correlação entre vitimização policial (morte de policiais) e letalidade policial (morte provocada por policiais) nos últimos anos. Os dados da ferramenta, que são disponibilizados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP) [1], indicam que quando há um aumento da letalidade policial também é observado um aumento da vitimização policial. Ou seja, é possível dizer que o volume de mortes de civis provocadas por policiais, de certa forma, influencia no número de mortes de policiais ou vice-versa. Essa correlação foi verificada tanto para policiais em serviço como fora dele. Apesar de estar presente nos dois casos, observa-se que essa correlação é mais alta quando consideradas as mortes de policiais em momentos de folga. Também se pode afirmar que, especificamente, durante a atuação policial há um maior número de vítimas, inclusive entre os membros da corporação policial.

Gráfico 1: Comparativo entre Letalidade Policial e Vitimização Policial no Brasil, por estados, no acumulado entre os anos de 2013 até 2017

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP) | Elaboração: FGV DAPP

Entre as regiões do Brasil, o Sudeste foi a que contabilizou quantitativamente maior número de mortes de agentes de segurança e de mortes por ação policial, destacando-se das demais. Dentre os estados brasileiros, verifica-se que as unidades da federação que contabilizaram maior número de mortes de civis devido a ações policiais, em 2017, foram Rio de Janeiro (1.127), São Paulo (940), Bahia (668), Pará (388) e Paraná (365). Já os estados que registraram mais policiais mortos foram Rio de Janeiro (104), São Paulo (60), Pará (37), Ceará (25) e Pernambuco (24).

Esta análise buscou apontar que o Brasil tem tido dificuldades em garantir o direito à segurança e à vida tanto para seus agentes de segurança quanto para a população de forma geral. Nesse contexto, este estudo foi dedicado à exploração desses dois fenômenos: a vitimização e a letalidade policial, visando compreender a relação estabelecida entre elas e o resultado de aproximadamente 40 anos de políticas públicas de segurança voltadas para o combate ao crime organizado, com base na ostensividade. Esta análise se aproximou das hipóteses de que ambos os fenômenos fazem parte da mesma dinâmica de violência e de que os resultados alcançados são pouco efetivos na queda dos indicadores criminais.

Referências bibliográficas

[1] FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário brasileiro de segurança pública: 2014 a 2017. São Paulo: FBSP, 2018., Disponível em: <http://www.forumseguranca.org.br/atividades/anuario/>. Acesso em: 07 nov. 2018.

[2] MARCONATO, Marcio; MORO, Odirlei Fernando; PARRÉ, José Luiz. Uma análise espacial sobre a saúde nos municípios brasileiros em 2010. In: ENCONTRO DE ECONOMIA DA REGIÃO SUL, 11, 2016. Anais… Florianópolis: Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia/Universidade Federal de Santa Catarina, 2016. Disponível em: <https://www.anpec.org.br/sul/2016/submissao/files_I/i2-179cfe218a630a301bb7e59a9da6a9cb.pdf>. Acesso em: 18/11/2018.

Notas técnicas

Calculamos a variação percentual quando queremos entender, em um dado período, o quanto ele aumentou ou diminuiu. Sendo assim, o cálculo segue a seguinte ideia: dadas as taxas t0e t1, em que temos t0 < t1, a variação percentual é da forma:

Se VP < 0, dizemos que houve uma diminuição entre os anos analisados; se VP > 0, dizemos que houve um aumento entre os anos analisados; e, se VP = 0, dizemos que não houve variação.