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Ciro e Bolsonaro polarizam nas redes após greve dos caminhoneiros, aponta DAPP Report

Depoimento de Lula a Bretas e novas denúncias no âmbito da Lava Jato fazem com que o tema corrupção volte a predominar no debate dos pré-candidatos

há 6 meses

Levantamento semanal da FGV DAPP sobre o cenário político brasileiro a partir do debate público nas redes sociais mostra que Ciro Gomes, do PDT, manteve a trajetória de aumento de presença no debate sobre os pré-candidatos à Presidência, que se acentuou desde a participação em um programa de TV, no fim de maio. Ciro hoje se apresenta como o terceiro ator com maior volume de referências, (bem) atrás de Lula e de Jair Bolsonaro e à frente de Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos, que haviam, em abril, conseguido expandir sua presença no Twitter em função dos engajamentos de apoio associados a Lula. Esse aumento também se explica pela mudança de foco, por parte de grupos alinhados a Bolsonaro, ao direcionar o debate crítico para Ciro e seus posicionamentos e propostas.

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O debate político no Twitter dessa semana gerou 959.732 tuítes e 667.521 retuítes. Foram identificados três principais grupos em interação: o grupo rosa (54,45% do debate), central no grafo e composto por perfis com forte cultura de internet, que compartilham memes e piadas sobre os recentes acontecimentos e personalidades políticas do país; o grupo azul (20,21%), mais alinhado à direita tradicional, que se une por fazer oposição à esquerda; e o grupo vermelho (19,86%), mais alinhado à esquerda tradicional. Nota-se que pela primeira vez Ciro Gomes surge como foco de críticas no grupo azul. Isso demonstra uma preocupação por parte da direita com o pré-candidato, que passou a ser visto como um competidor mais forte na corrida eleitoral após sua aparição no programa Roda Viva.

Corrupção e educação em pauta

O depoimento de Lula ao juiz Marcelo Bretas e a divulgação, pela imprensa, de novas denúncias associadas a atores e partidos envolvidos na operação Lava Jato e no pleito de outubro novamente fizeram a corrupção despontar como principal tema relacionado aos presidenciáveis. Desde o começo da greve dos caminhoneiros, a conjuntura econômica havia, pela primeira vez desde o começo do ano, adquirido maior protagonismo no Twitter no debate político; esta semana, a despeito do ainda elevado volume de menções a diferentes atores sobre questões da economia, os muitos fatos simultâneos sobre casos de corrupção acabaram interrompendo a tendência de aumento, no contexto eleitoral das redes sociais, das políticas públicas como agendas centrais.

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Discreto até agora, o debate de educação ganhou inesperado catalisador a partir da discussão sobre os livros lidos por Lula na prisão. Com forte polarização entre ironias ao letramento do ex-presidente e a defesa do petista, foi importante argumento, entre apoiadores de Lula, a lembrança de que, durante seus mandatos, muitos brasileiros conseguiram, pela primeira vez, acesso ao ensino superior e à educação formal. Também foi satirizada a percepção de que uma média de leitura de 55 páginas/dia (conforme a crítica de perfis contra Lula) é difícil de se obter.

Já em economia, em decorrência da greve, destacaram-se como principais subtemas a questão tributária, discutida por todos os pré-candidatos, a gestão dos gastos públicos, a partir da visão negativa sobre os custos do acordo com os caminhoneiros, e a privatização de estatais, pauta capitaneada por Flávio Rocha, João Amoêdo, Henrique Meirelles e Ciro, com foco no setor energético. Bolsonaro voltou a concentrar, sozinho, parte expressiva do debate sobre a segurança pública, apesar das investidas de Ciro e Geraldo Alckmin, mas também voltou a receber maior volume de críticas pela postura em relação a assuntos econômicos.

No Facebook

Guilherme Boulos apresenta tímida continuidade de captura de interações no Facebook, passados a prisão de Lula e o aquecimento do debate sobre habitação em decorrência do desabamento de edifício em São Paulo.

Manuela D’Ávila conseguiu, com maior eficácia, posicionar-se de forma estável como importante voz ativa de agendas de esquerda na rede social, seja na defesa do ex-presidente, seja na divulgação de seus posicionamentos. A pré-candidata preservou o maior alcance obtido desde a mobilização nacional em volta de Lula, no começo de abril.

Ciro Gomes, ao contrário do que ocorre no Twitter, também retrocede, desde o fim de maio, quanto à capacidade de atração de interações no Facebook. O pré-candidato do PDT retornou a nível similar — de engajamentos — ao de Marina Silva e de Alckmin, ambos com limitada dispersão na rede social.


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