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Com até 74 posts por minuto, discussão sobre assédio de brasileiros alcança 134,3 mil tuítes

6,8 mil postagens caracterizam o comportamento dos participantes do vídeo, além de machista, como caso de racismo devido à referência feita à cor da genitália da mulher

há 3 meses

Em uma repercussão crescente desde sábado, o caso dos torcedores brasileiros que fizeram um vídeo assediando uma mulher na Rússia chegou a gerar 74 postagens no Twitter por minuto na noite de terça-feira (19). Entre as 16h de sábado, quando o vídeo começou a circular na rede social, e as 16h desta quarta-feira (20), o assunto mobilizou 134,3 mil tuítes no país.

Além do pico de menções registrado às 22h de terça, com 4,4 mil postagens em uma hora, outro um pouco menor ocorreu ao meio-dia desta quarta, com 3,8 mil postagens por hora (64 postagens por minuto). Contribuíram para manter o gradativo interesse sobre o assunto a identificação dos participantes do vídeo, o pedido de desculpas de um deles, ontem, e a demissão de outro nesta quarta-feira.

 

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Na noite de terça, quando do maior pico sobre esse assunto, as publicações abordavam especialmente três aspectos do vídeo: o sentimento de “vergonha por ser brasileiro”, em função do comportamento dos turistas na Rússia; a contínua divulgação de informações pessoais sobre os torcedores identificados no vídeo; e a crítica à percepção de que os homens que ofenderam a mulher são “infantis” ou “imaturos” e estavam apenas “brincando”, sob o argumento de que a atribuição de infantilidade e imaturidade a homens que praticam o machismo ajuda a amenizar (e a naturalizar) o comportamento machista. Nesta quarta, a divulgação da demissão de um dos homens identificados no vídeo contribuiu para o pico de menções do início da tarde.

Também permanece crescente a discussão que atribui caráter racista ao episódio. Cerca de 6,8 mil postagens caracterizam o comportamento dos participantes do vídeo, além de machista e misógino, como um caso de racismo devido à referência feita à cor da genitália da mulher. Um pico de menções nesse recorte do parte do debate ocorreu às 20h de terça-feira (19), quando alcançou 664 postagens por hora (ou 11 postagens por minuto).

As postagens com maior repercussão que abordam o racismo foram feitas por perfis femininos: uma compartilha a charge do cartunista Gilmar (3,5 mil retuítes); outra defende a punição dos rapazes (1,4 mil retuítes); a terceira critica os padrões impostos ao corpo das mulheres (850 retuítes); e a quarta trata das possíveis consequências do episódio para os rapazes envolvidos (560 retuítes).

Debate regionalizado

O estado de São Paulo concentrou 30,9 mil postagens (ou 23% do debate), seguido do Rio de Janeiro, com 29,5 mil (22%); Minas Gerais, com 10,7 mil (8%); Rio Grande do Sul, 9,4 mil (7%); e Pernambuco, estado de um dos integrantes do vídeo, com 8 mil postagens (6%).

As hashtags mais usadas no debate foram #machistasnacopa e #nãopassarão, que aparecem em 5,4 mil postagens (4% do debate). O emoji mais usado é o do rosto aborrecido, que aparece em 2,7 mil tuítes (2% do debate). Já as palavras mais usadas são “russa”, que aparece em 52,4 mil publicações (ou 39% do debate), seguida de “vídeo”, em 45,6 mil (ou 34%); “brasileiros”, em 44,3 mil (ou 33%); e “mulher” e “rússia”, em 28,2 mil (ou 22%) cada.

 

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Dentre as postagens com maior repercussão, destacam-se um tuíte que traz informações sobre um dos rapazes que aparece no vídeo em questão; um que critica a falta de consideração dos torcedores pela cordialidade de pessoas de outros países, com mais de 7,2 mil compartilhamentos; um que identifica mais um dos rapazes que aparece no vídeo, com mais de 4,4 mil compartilhamentos; um que traz uma charge crítica comparando o episódio à derrota do Brasil para Alemanha na Copa de 2014, com mais de 3,5 mil compartilhamentos; e um que insinua que a viagem dos torcedores à Rússia teria sido custeada com verba pública, com mais de 3,2 mil compartilhamentos.

Destacam-se, com alguma repercussão, postagens de influenciadores que relativizam desde a atenção dada ao episódio (1,9 mil compartilhamentos) até o caráter ofensivo do comportamento dos torcedores (1,1 mil compartilhamentos) e a gravidade do caso, que seria, na verdade, somente uma brincadeira (mais de 270 compartilhamentos).


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