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De volta ao início: as lições das primeiras UPPs

Olhar novamente para o início das UPPs pode trazer apontamentos para a superação da crise que o projeto de segurança enfrenta

há 11 meses por Maria Isabel MacDowell Couto

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Quase 8 anos depois da inauguração da primeira Unidade de Polícia Pacificadora e após a realização das Olimpíadas, o projeto que trazia consigo a promessa de acabar com os tiroteios nas favelas pacificadas e, com isso, por fim a 3 décadas de “guerra às drogas” apresenta significativos sinais de desgaste. Apenas em março de 2016 foram registrados tiroteios envolvendo policiais em 30 das 38 UPPs, ao todo foram notificados 112 tiroteios e ao menos 3693 disparos – o que equivale a 1 tiro a cada 12 minutos . Ainda mais recentemente, a plataforma colaborativa recém-lançada (Fogo Cruzado) identificou 40 tiroteios em setembro no Jacarezinho, Complexo do Alemão, Cidade de Deus e Manguinhos , todos territórios de UPP. Ao panorama de incerteza da sustentabilidade das UPPs ainda soma-se a crise financeira do governo do estado e saída do secretário de segurança, José Mariano Beltrame, da pasta após quase 10 anos de gestão.

Diante deste cenário, é importante compreender melhor o que foi no projeto das Unidades de Polícia Pacificadora, a fim de não perder os avanços alcançados pelo programa. Com este intuito, a FGV/DAPP debruçou-se sobre uma pesquisa de opinião realizada pela Fundação Getulio Vargas em maio de 2009 com moradores do Santa Marta, da Cidade de Deus e com moradores do entorno das duas favelas ocupadas. Acreditamos que olhar novamente para o início das UPPs pode trazer apontamentos para a superação da crise que o projeto de segurança enfrenta e, com isso, dar subsídios para que o poder público seja capaz de continuar com avanços já alcançados.

Cerca de 6 meses após a inauguração da primeira UPP, 96% das 1200 pessoas entrevistadas afirmaram que o programa deveria ser expandido, indicando significativa aprovação popular. Mas além disso, quando demandados sobre sua situação de segurança, os moradores das favelas ocupadas demonstraram consistentemente uma percepção mais elevada de melhoria, do que os moradores do entorno. Os moradores do Santa Marta e da Cidade de Deus também avaliaram melhor o treinamento dos policiais, do que os moradores dos bairros vizinhos, além de conferirem mais crédito às ações do governo.

Os dados da pesquisa nos apontaram que, em poucos meses, o governo obteve considerável êxito em convencer grupos populacionais com características e preferências diferentes de que a estratégia das UPPs era oriunda de necessidades reais e voltada para resolver o problema da segurança pública. A capacidade de comunicar essa mensagem não é de forma alguma trivial, ainda mais no Rio de Janeiro, onde ao menos 3 décadas de história apontam para políticas de segurança intermitentes, prejudicando a obtenção de resultados sustentáveis.

Confira a pesquisa completa sobre as percepções iniciais das UPPs


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