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Debate sobre intervenção militar motiva 952,5 mil menções impulsionado pela greve dos caminhoneiros

Análise de redes da FGV DAPP reúne número de menções, hashtags e interações no Facebook e Twitter sobre a discussão

há 2 semanas

Desde a 0h do dia 20, o debate sobre intervenção militar somou 952.500 tuítes, com concentração de atividade nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste​. Entre os dias 20 e
23, o volume oscilou numa faixa entre 19.000 e 38.000 menções. A partir do dia 24 houve maior mobilização em torno do tema, observando-se uma tendência de alta nos dias subsequentes. Já no dia 25 foram contabilizadas 98.500 menções, mesmo dia em que o presidente Michel Temer fez um pronunciamento oficial informando a convocação das forças de segurança federais para desobstruir as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros em greve desde o dia 20. Nos dias 26 e 27, as discussões arrefeceram, mas voltaram a disparar no dia 28. O maior pico desde então ocorreu por volta das 0h do dia 30, totalizando 515 referências/minuto.

Entre os principais influenciadores do debate estão perfis de caráter humorístico (@JenioQuadros e @felipeneto), perfis de militares ​(@GeneralGirao), influenciadores da internet ​(@QuebrandoOTabu) e expoentes da imprensa (​@delucca e @folha). Entre os tuítes com maior repercussão, é possível observar uma disputa de narrativas em três perspectivas:

1) aqueles que reivindicam a intervenção militar e a consideram uma solução para a crise política e econômica no país;

2) aqueles que criticam defensores da ditadura e trazem relatos sobre o período entre 1964 e 1985, caracterizando-o pelo autoritarismo;

3) em menor número, aqueles que caracterizam a conjuntura atual como uma ditadura disfarçada de democracia.

O tuíte mais compartilhado no período analisado segue a terceira abordagem, apontando a gestão do presidente Michel Temer como um governo que frequentemente recorre às Forças Armadas. De autoria do perfil @bipolauren, que, vale destacar, não se encaixa nas categorias de influenciadores mencionados acima, a publicação obteve mais de 17 mil compartilhamentos. Já o perfil do general Villas Bôas (@Gen_VillasBoas) aparenta concentrar maior engajamento entre os usuários, tendo em vista que seus posts apresentam o maior número de replies.

A construção dos discursos que contrapõem democracia e intervenção militar perpassa o contexto de paralisação dos caminhoneiros, que despertou ainda debates sobre corrupção e gastos parlamentares. Dentre as hashtags mais utilizadas estão #intervençãomilitarjá (13.300 ocorrências), #brasilnarua (9.200 ocorrências), #foratemer (5.300 ocorrências) e #euapoioagrevedoscaminhoneiros (4.900 ocorrências). A primeira é utilizada por apoiadores da intervenção. A segunda está inserida em um debate proposto por perfis que defendem a democracia e são contundentes na rejeição à intervenção militar. A terceira é utilizada por perfis que se posicionam mais à esquerda do espectro ideológico e reforçam a ligação entre o presidente e as forças militares. A quarta é alvo de disputa entre defensores e opositores à intervenção militar – parte dos perfis favoráveis identifica a intervenção como uma das bandeiras defendidas pelos caminhoneiros.

#intervençaomilitarjá (13.300)
#brasilnarua (9.200)
#foratemer (5.300)
#lulalivre (5.100)
#euapoioagrevedoscaminhoneiros (4.900)
#temerabaixaagasolina (3.000)
#grevedoscaminhoneiros (3.000)

Notícias no Facebook e no Twitter

As notícias a respeito de uma possível intervenção militar no Brasil angariaram um engajamento de 2,1 milhões de interações no Facebook e no Twitter entre os dias 20 e 29 de maio ‒ período em que foram registrados 2,5 mil links sobre o tema. No Facebook, houve 2,1 milhões de interações, entre reações, compartilhamentos e comentários. No Twitter, o compartilhamento feito por perfis de influenciadores (isto é, com maior número de seguidores) alcançou 12,8 mil interações. Nas duas redes, o pico de engajamento foi no dia 24, com 912,8 mil interações​.


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