Divulgação de relatório do Coaf mobiliza 107 mil menções

Atentado na Catedral Metropolitana de Campinas fomenta debate sobre flexibilização do porte de armas, impulsionando o tema segurança pública; Em economia, persistem especulações sobre as medidas a serem adotadas pelo futuro presidente

há 3 meses

A divulgação de relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) que identifica operações bancárias suspeitas de um dos filhos de Jair Bolsonaro provocou uma retomada do debate sobre o futuro governo entre perfis sem alinhamento partidário e que, nas últimas semanas, apresentavam uma dispersão nas discussões. O grupo rosa voltou a ganhar robustez com críticas aos posicionamentos de Bolsonaro sobre o caso, reunindo 37,5% dos perfis e 14% das interações, um aumento de 20 e 8 pontos percentuais, respectivamente. No geral, o debate no Twitter sobre o novo governo também cresceu na última semana, apresentando cerca de 70% mais interações em comparação com a semana anterior.

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As operações financeiras de Flávio Bolsonaro consideradas suspeitas também foram o principal tema discutido pelo grupo vermelho, de oposição ao novo governo e que congrega sobretudo líderes políticos e partidos alinhados à esquerda. O grupo foi responsável por 34% das interações totais, um aumento de 7 pontos percentuais em comparação com a semana anterior, ainda que tenha apresentado uma queda também de 7 pontos no volume de perfis (19,8% do mapa). Também foi alvo das críticas do grupo o posicionamento de Bolsonaro em relação aos direitos trabalhistas que, segundo os perfis, mostram que o presidente eleito estaria do lado dos “patrões”.

Já o grupo azul, que reúne perfis de apoio ao presidente eleito — incluindo o perfil do próprio Jair Bolsonaro e de seus filhos —, repercutiu a resposta do futuro presidente a declarações do ex-presidente Lula questionando a vitória de Bolsonaro nas eleições. Além disso, permaneceu abordando o estabelecimento das diretrizes para o novo governo e parabenizou a atuação de policiais militares pelo Brasil. Foram mais de 99 mil perfis (29,7% do total) e cerca de 789 mil interações (47,1% do total), o que configura o grupo como o mais ativo no período. No entanto, houve uma queda de cerca de 3 e 11 pontos percentuais no volume de perfis e de interações, respectivamente, em comparação com a semana passada.

A revelação do Coaf foi responsável por ao menos 107 mil menções sobre Corrupção entre os dias 6 e 12 de dezembro, com os usuários cobrando coerência do governo eleito frente a potenciais ilícitos. Ainda sobre o tema, houve críticas ao comportamento de alguns futuros ministros, sobretudo de Onyx Lorenzoni, e comentários em apoio a Bolsonaro em razão de uma fala de Lula questionando a vitória do futuro presidente.

A discussão sobre Segurança Pública também foi destaque nesta última semana. O ataque com arma de fogo na Catedral Metropolitana de Campinas impulsionou o debate sobre a flexibilização do porte de armas, com parte dos usuários afirmando que, caso a flexibilização aconteça, estes atentados serão recorrentes, e outra parte argumentando que o porte de arma possibilitaria a autodefesa das vítimas. Ademais, a declaração de membros da futura equipe ministerial do novo governo sobre a possibilidade de prover incentivos para que mulheres vítimas de estupro e que venham a engravidar não abortem mobilizou debates.

Em Economia, usuários questionaram potenciais medidas a serem tomadas pelo futuro ministro Paulo Guedes, comparando-as, em tom crítico, com a situação da Argentina. Também especularam sobre as possibilidades para a Reforma da Previdência, sobre a escolha do futuro secretário da Previdência e sobre a aderência do novo governo às pautas trabalhistas.