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Eleições na França: relatório analisa disputa presidencial no Twitter

Pesquisa mostra que perfis de apoiadores de Le Pen e Macron focaram num debate de rejeição na rede, e não necessariamente na discussão sobre políticas públicas

há 5 meses por Alexandre Spohr, Danilo Carvalho da Silva, Humberto Ferreira, Lucas Calil, Tatiana Terra Ruediger

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV mapeou o debate eleitoral no Twitter ao longo dos dois turnos da disputa presidencial na França, que terminou com a vitória do candidato de centro, Emmanuel Macron, contra a representante da extrema-direita, Marine Le Pen, no último domingo (07/05). Na mais recente edição do DAPP Reportapresentamos os resultados do levantamento que buscou identificar de que forma a adesão de perfis na rede aos dois finalistas e quais candidatos mais “cederam” espaço a Macron ou Le Pen, a partir de seus próprios polos de influência.

Foram analisadas menções, em francês, associadas a todos os candidatos e ao contexto específico da eleição, reunindo um total de 4,9 milhões de postagens, entre 10 de abril e 03 de maio. Ao longo do primeiro turno, Macron foi o influenciador de maior alcance, concentrando 10,4% do debate, mais que o dobro dos 4,9% de Le Pen, por exemplo. Jean-Luc Mélenchon, cuja campanha foi marcada pelo uso extensivo das redes sociais e de inovações tecnológicas, ficou em segundo em concentração das interações via Twitter, com 6,9%. O grupo aqui chamado de “profils non alignés” (perfis não alinhados) representa um grupo heterogêneo, que interage sobre as eleições, mas não concentra apoio a nenhum político.

No entanto, uma vez que se encerra o primeiro turno, os perfis alinhados a Fillon, já em proximidade com os de interação com Le Pen, praticamente se unem dentro do mesmo espectro de debate. Isso faz com que haja uma soma entre ambos, na visualização das regiões virtuais de influência: o cluster Fillon-Le Pen agrega 12,1% das interações, com Macron ainda à frente, com 13%. Enquanto isso, Mélenchon decai muito pouco, a 6,6% — o que dá força à hipótese de que o grupo de influência do político dificilmente apoiará o candidato centrista vitorioso.

A análise mostra também que o embate entre Le Pen e Macron, para muito além de representar exclusivamente um conflito de formações ideológicas no segundo turno presidencial, se verificou no Twitter como um duelo de oposições ao outro. Em ambas as redes de influência, há maior presença de referências ao nome do adversário do que ao próprio (ou à própria) candidato(a), o que sintetiza o engajamento de rejeição, e não necessariamente de debate sobre políticas públicas.

 

>> Confira a í­ntegra do relatório: