Eleições no Congresso e projeto anticorrupção assumem centro da pauta nas redes

Apesar do arrefecimento nas discussões, a tragédia em Brumadinho ainda aparece entre os principais tópicos nas redes e mantém Meio Ambiente entre os principais temas do debate político

há 6 meses

Passado o ápice de discussão sobre o desastre de Brumadinho — que persiste como um dos principais tópicos do debate público —, a agenda política do governo federal e os desdobramentos das eleições no Congresso voltaram ao centro da pauta das redes sociais, com diferentes questões dividindo os discursos na web. O mapa de interações sobre o debate político esta semana, com 1.714.712 retuítes de uma base geral de 2.861.810 tuítes (filtrados robôs), continua organizado a partir de dois grupos de apoio e oposição ao governo que têm números parecidos de perfis, um grupo maior de independentes — com forte uso de humor — e dois grupos menores que repercutem, em geral, posições e tuítes de influenciadores dos grupos maiores.

>> Confira a íntegra do DAPP Report – A semana nas redes

Essa configuração do cenário de discussões nas redes sociais, anterior até ao começo das eleições de 2018, se atualiza semanalmente sob o ponto de vista da pauta temática; desta vez, a base em rosa, com 30,4% dos perfis e com 10,3% das interações, diminuiu de tamanho em relação à semana passada. Aborda menos a situação de Brumadinho e da Vale, concentrando atenção nas disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, na articulação do governo com o Legislativo e na repercussão de entrevistas e declarações de figuras políticas à imprensa.

Uma parte da discussão de tom humorístico normalmente organizada pelo grupo rosa migrou para o núcleo laranja, que chega a concentrar 9,2% dos perfis, mas apenas 4,1% das interações. É mais ácido o teor das críticas que os perfis do grupo laranja fazem à Vale e a membros da classe política, com o uso de memes e de eventos culturais, como o programa de TV “Big Brother Brasil”, para fazer questionamentos principalmente sobre segurança pública, milícias, Reforma da Previdência e corrupção.

No grupo azul (de maior volume de interações do mapa, 46,9%), o debate é essencialmente da esfera política, repercutindo vitórias do DEM na Câmara e do Senado e as turbulências na votação dos senadores na sexta-feira e no sábado (1º e 02 de fevereiro). Perfis abordam elementos do projeto do governo de combate ao crime e à corrupção e as mudanças legislativas na atuação de policiais militares e no regime prisional, com críticas à imprensa.

Do outro lado, no grupo vermelho, a disputa no Senado também é relevante, assim como notícias de corrupção, a questão indígena, milícias e meio ambiente, por conta de Brumadinho. Um grupo menor, em verde, de orientação à centro-direita, destaca maior importância à situação fiscal do país, ao projeto econômico do governo e no impacto político da corrupção. Usam perfis de sátira à imprensa tradicional para discutir o noticiário.

O debate no Twitter na semana

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho segue com atualizações e operações de resgate e identificação de vítimas, com a pauta ambiental em evidência — associada a ações de entes públicos em relação ao desastre e na recuperação da localidade em Minas Gerais. Porém, o projeto empenhado pelo governo federal para o endurecimento no combate à corrupção obteve rápido destaque nas redes sociais, reorganizando o tema como um dos mais relevantes para a sociedade na web. Unem-se no plano temático o pacote de medidas anticorrupção e segurança pública e discussões sobre o papel das milícias no Rio de Janeiro, crimes políticos e a operação Lava Jato.

A pauta de direitos humanos, que este ano persiste de extrema relevância para o debate público, recrudesceu durante a semana por conta de fatores conjuntos de presença constante na imprensa e nas redes sociais: notícias sobre comunidades indígenas, direitos LGBT, ensino e ideologia nas escolas, liberdade religiosa, contracepção e benefícios sociais. A profusão de tópicos de muito interesse para partidos, militantes e grupos políticos faz com que a Reforma da Previdência e a redução dos gastos do Estado sigam como as duas únicas da esfera econômica com ampla repercussão na internet.