Ferramentas DAPP

‘Fora Temer’ e ‘Diretas Já’ ganham força nas redes após protesto em Brasília

Mapa de retuítes sobre os protestos mostra o grupo de perfis tradicionalmente ligados à oposição em ofensiva contra o governo, que não encontra um campo orgânico de defesa nas redes

há 1 mês

•Em um dia de protestos e conflito na Esplanada, a crise política voltou a recrudescer, provocando novo aumento de menções a “Fora Temer” e “Diretas Já”, além de críticas às reformas da Previdência e trabalhista. O mapa de retuítes sobre os protestos mostra o grupo de perfis tradicionalmente ligados à oposição em ofensiva contra o governo, que não encontra um campo orgânico de defesa nas redes;

•Na tarde de quarta-feira, também ganharam destaque as menções à violência e ao vandalismo durante os protestos, na sequência do anúncio do envio das Forças Armadas para conter os manifestantes, agravando um cenário já muito adverso para o governo e sua base de apoio, que sofre novo revés diante da opinião pública;

•Nesse contexto, observa-se — entre os atores políticos — um aumento das menções ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tanto pelo seu pedido ao presidente, por envio de reforço para conter os manifestantes, quanto pelo fato de ser o primeiro na linha sucessória de Temer.

>>> Baixe a íntegra do relatório em PDF

Protestos na Esplanada – Crise política recrudesce

Os protestos que eclodiram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta quarta-feira, provocaram o recrudescimento da crise política, com nova intensificação de pedidos de Fora Temer e de Diretas Já, críticas à agenda de reformas do governo e forte reação à decisão de enviar as Forças Armadas para atuar em conjunto com a polícia nas manifestações. Até as 17h30, o Monitor de Temas da FGV DAPP contabilizava mais de 210 mil menções na categoria protestos, um nível similar ao verificado no auge da crise política iniciada há exatamente uma semana — e com tendência de crescimento nas próximas horas.

No mapa de retuítes sobre os protestos — em que foram analisados cerca de 120 mil tuítes —, observa-se aumento do debate sobre as manifestações de hoje nas redes, com o grupo formado por perfis tradicionalmente alinhados à oposição ao governo (vermelhos) adquirindo protagonismo, juntamente ao grupo rosa, formado por perfis não tão alinhados a esse grupo, mas pontualmente convergindo em torno de uma pauta que pede a saída do Presidente Temer e entende que as manifestações no seu ápice foram provocadas pela polícia. Já o grupo azul, formado por perfis usualmente críticos da esquerda e que foram a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, aparece com grande volume de interações, mas em reação à pauta das Diretas Já — não em defesa do Presidente Michel Temer — e culpabilizando os manifestantes pela violência nos protestos de hoje. Em amarelo, um frágil grupo de mediação entre os grupos, reforçando a ideia de conflito entre os campos formados no momento.

Mapa de Retuítes sobre Protestos (Twitter – 0h às 16h)

Entre as temáticas com maior volume de menções no contexto dos protestos, “Diretas Já” tinha, até as 17h, cerca de 54 mil referências, com a hashtag #diretaspordireitos em 33 mil postagens. Na sequência, observa-se uma série de termos relacionados ao conflito registrado na Esplanada, sobretudo a crítica a “vandalismo” (30,6 mil), menções ao emprego das Forças Armadas (26,8 mil), ao “incêndio” (25,9 mil) e à “violência policial” (20,4 mil), dando uma dimensão do clima de confronto instalado em Brasília — e, consequentemente, nas redes. A presença de alto volume de postagens sobre os atos de vandalismo — debate crítico que foi bastante ampliado pelo episódio de incêndio na Esplanada — respondeu pela principal pauta temática dos grupos contrários às manifestações. A destruição de prédios ministeriais fez com que, embora haja maior volume de debate entre perfis favoráveis aos protestos, as críticas ao vandalismo tenham sido mais difundidas que eventuais críticas à atuação da polícia.

Volume de Menções (Twitter – 13h até 17h)

Evolução no volume de menções (Twitter – 20/05 a 24/05 até 16h)

Neste contexto, observa-se um aumento das menções ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, primeiro na linha sucessória de Temer e que pediu o apoio de tropas nacionais para conter os manifestantes. Maia vem sendo considerado uma das opções para a Presidência em caso de eleição indireta, junto a nomes como o do ex-Ministro Nelson Jobim e o do Ministro Henrique Meirelles. Nesta quarta-feira, o presidente da Câmara superou os outros nomes cogitados e cresceu juntamente ao nome do Presidente — embora em menor volume.

Menções a atores do debate político (Twitter – 20/05 a 24/05 até 16h)

No debate econômico, os protestos provocaram um aumento das menções às reformas econômicas, representando um novo revés para a agenda do governo, que tentava retomar a pauta legislativa após o auge da crise. O volume de menções às reformas já alcançava, até as 16h, patamar similar ao verificado no sábado, quando o Presidente Temer — em pronunciamento — defendeu o seu governo utilizando como argumento, entre outros pontos, a necessidade de manter a pauta econômica no momento em que a atividade dá sinais de retomada.

Menções no debate econômico (Twitter – 20/05 a 24/05 até 16h)

Considerações finais

•Os protestos desta quarta-feira na Esplanada provocam, portanto, o recrudescimento da crise política — quando alguns atores já contavam com uma diminuição de temperatura. Neste contexto, alguns pontos devem ser observados nos próximos dias:

•A evolução das menções relacionadas a protestos nas redes, que podem indicar o início de uma sequência de atos contra o governo Temer, elemento que ainda não havia se verificado desde a eclosão da atual crise política, no último dia 17;

•A intensificação das demandas pela saída do Presidente Temer e por Diretas Já — em oposição aos que defendem eleições indiretas;

•O volume de menções aos principais atores políticos, sobretudo aqueles que são cogitados como eventuais sucessores de Temer, podendo indicar uma convergência em torno de um deles;

•O impacto do recrudescimento da crise no debate econômico, sobretudo na pauta das reformas trabalhista e da Previdência, o que pode ter repercussão negativa para a estabilidade política e para a retomada da economia.


Nota Metodológica

Para a análise dos protestos e da crise política, foram utilizados dados do Twitter, com a coleta de mais de 210 mil postagens. Os tweets coletados para a análise foram postados entre a 0h e as 17h de hoje. Já sobre o debate de atores e temas, houve a coleta de mais de 1,5 milhão de menções no Twitter.

Os grafos (mapas de retuítes) são visualizações das redes de interações entre perfis, aplicáveis a quaisquer bases de dados em que os interlocutores se relacionam por algum atributo. Para agregar os dados no Twitter, a FGV/DAPP não usa apenas palavras-chaves ou hashtags isoladas, mas também aplica uma abordagem calcada na semiótica discursiva para fazer a filtragem de postagens por temas.
Já a nuvem de palavras apresenta os principais termos, por ordem de maior frequência, utilizados por cada um dos clusters identificados na rede de retuítes.

Para saber mais sobre a metodologia de trabalho, acesse o documento “Nem tão simples assim: O desafio de monitorar políticas públicas nas redes sociais”.


FGV/DAPP

Diretor
Marco Aurelio Ruediger

Equipe
Thomas Traumann
Amaro Grassi
Danilo Carvalho
Humberto Ferreira
Lucas Calil


Veja mais sobre: , , ,