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Prof. Dra. Margareth da Luz: uma trajetória de excelência e superação

Doutora e mestre em Antropologia Social, pesquisadora era referência no país na realização de grupos focais

há 3 meses

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É com muito pesar que a Diretoria de Análise de Políticas Públicas (FGV/DAPP) comunica o falecimento da nossa querida pesquisadora Margareth da Luz, aos 55 anos, na noite da última segunda-feira (26/12).

Marga, como era chamada carinhosamente por nós, trabalhou incansavelmente na FGV/DAPP até meados de outubro deste ano, quando foi internada por complicações de saúde. Sempre disposta a compartilhar conhecimento, característica dos pesquisadores generosos, treinou vários colegas em diversas metodologias de pesquisa, primando sempre pela qualidade, rigor metodológico e gentiliza, ao mesmo tempo em que matinha a curiosidade juvenil em aprender mais.

Doutora e mestre em Antropologia Social, Margareth era referência no país na realização de grupos focais em pesquisas qualitativas. Seu olhar sensível e faro aguçado para questões ainda inexploradas traziam insights apurados sobre a percepção dos grupos pesquisados. Marga atuava na área desde 1999, realizando trabalhos para diversos setores, tanto para entes acadêmicos como governamentais e empresariais. Por conta da sua expertise, viajou por dezenas de cidades do Brasil ao longo de sua carreira tratando de temas da segurança pública à política e saúde.

Apaixonada por Niterói, estudou da graduação ao doutorado na Universidade Federal Fluminense. Em sua tese com o título provocativo “O melhor de Niterói é a vista do Rio” – Políticas culturais e intervenções urbanas: MAC e Caminho Niemeyer, encarou o desafio de fazer etnografia em um contexto urbano, uma tarefa que desempenhava com maestria. Ela discutiu os conflitos materiais e simbólicos da cidade e sua identidade em torno de duas importantes intervenções urbanas –  e isso sem perder o bom humor, como mostra a referência do título à expressão corrente entre os cariocas para se referir aos vizinhos da Baía de Guanabara.  Marga também trabalhou como diretora da Niterói Livros (1993-2004 e 2009-2012) e foi homenageada, em 1998, com uma Moção de Aplausos na Câmara Municipal de Niterói por serviços prestados ao município.

Sua liderança e olhar antropológico foram fundamentais para o desenvolvimento do projeto “Imigrantes do século 21”, um de seus trabalhos mais recentes na FGV/DAPP. A iniciativa reuniu uma série de vídeos que apresentaram depoimentos de imigrantes na cidade de São Paulo. A abordagem inovou ao propor o uso de narrativas audiovisuais na pesquisa social aplicada, registrando trajetórias das pessoas que, por diversas razões, escolheram o Brasil como local de moradia e oportunidades.

O trabalho da FGV/DAPP rendeu uma parceria com o Ministério do Trabalho e Previdência Social para o aprimoramento das estruturas do Estado brasileiro. Diversas sugestões de políticas capazes de transformar a imigração em vetor estratégico de desenvolvimento foram incorporadas na nova Lei de Imigração, aprovada em dezembro da Câmara dos Deputados.  Esta parceria resultou em um caderno de referência intitulado “Análise e Avaliação do Desenvolvimento Institucional da Política de Imigração no Brasil para o Século XXI”, premiado em setembro deste ano pela Fundação Getulio Vargas.

Marga também participou intensamente da elaboração da ferramenta “Cidades”, lançada antes das eleições municipais deste ano. Ela foi responsável pela robustez bibliográfica e revisão textual da pesquisa sobre mobilidade e renda na cidade do Rio de Janeiro em que se avalia o impacto na renda per capita das tarifas de BRT e metro.

A pesquisadora também esteve à frente do setor editorial da FGV/DAPP, tendo revisado diversas publicações produzidas pela equipe.

Margareth deixa dois filhos, João, de 17 anos, e Teresa, de 15, vários amigos e companheiros de trabalho e de vida e muitas saudades. Risadas, bom humor, felicidade de trabalhar, piadas, rigor em fazer bem feito e superação de estar viva todos os dias são características dessa querida colega que será sempre lembrada, e com quem tivemos a honra de conviver por tantos anos.

Até logo, Marga!

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