Meio Ambiente é o principal tema associado ao governo após desastre em Brumadinho

Com tragédia em Minas, cai significativamente a atuação de robôs na rede após semanas de alta consecutiva; Economia e Corrupção perdem espaço na agenda de debates nas redes

há 3 meses

O desastre em Brumadinho, na última sexta-feira (25), modificou o espaço de debate político nas redes sociais. A temática de meio ambiente — até então com forte impacto fora do Brasil, mas periférica em relação aos demais temas — reposicionou-se no centro das discussões, levando consigo questões associadas à saúde pública, a privatizações, ao papel regulador do Estado e de direitos humanos.

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A reorganização de tópicos de maior repercussão nas redes sociais também acabou por condicionar os debates internos dos principais grupos políticos na web desde sexta. Com 2.650.030 retuítes (extraídos de uma base total de 4.353.856 tuítes) coletados entre 23 e 29 de janeiro, o mapa de interações da semana é modulado a partir de Brumadinho (e de seus desdobramentos) em todo o espectro político, com queda na presença de robôs atuando na discussão.

No grupo rosa, novamente o maior do mapa em número de perfis, a tragédia no rompimento da barragem da Vale gerou manifestações críticas sobre a flexibilização de leis ambientais e a falta de responsabilização após o desastre de Mariana, em 2015. Os perfis defendem a intensificação de ações políticas de proteção ambiental, com maior rigidez com empresas privadas e de fiscalização. Outro subtema que repercutiu no grupo foi a representatividade parlamentar voltada a direitos LGBT e de proteção a minorias.

No grupo azul, o que mais reúne interações, a atuação do governo federal na mitigação de danos do desastre em Brumadinho, as ações de ajuda e resgate e as primeiras iniciativas de sanção aos responsáveis se destacaram. A pauta ambiental dividiu, ainda, espaço com os desdobramentos da crise política na Venezuela, o encerramento da participação brasileira na cúpula de Davos e a cobertura política da imprensa.

Já no vermelho, a exemplo do rosa, foi mais forte o impacto direto de Brumadinho sob a perspectiva dos danos ambientais e da cobrança por investigações e punições, também repercutindo o debate sobre atuação parlamentar e representatividade política. A investigação de milícias no Rio de Janeiro e sobre a morte de Marielle Franco foram os dois principais tópicos de segurança pública.

Por fim, bem menor que os outros três grupos, a base de discussão em verde dedica maior espaço a questões econômicas tanto associadas a Brumadinho quanto à pauta geral de economia do país para os próximos meses, como a Reforma da Previdência e a redução de cargos comissionados e dos custos do Estado. É forte o uso do humor e de memes no grupo verde para satirizar a política, a imprensa e a polarização direita/esquerda.

O debate no Twitter na semana

Em mudança brusca frente à tendência das últimas semanas, tanto economia quanto corrupção perderam espaço enquanto agendas de repercussão junto ao debate político. Brumadinho responde por fração significativa da redistribuição temática das discussões na web, e é por conta do desastre em Minas Gerais que a categoria Meio Ambiente deixou a periferia dos macrotemas de discussão; no entanto, também é importante enfatizar que a pauta de segurança pública segue resiliente como agregadora de menções nas redes, a partir da investigação sobre milícias e de menções sobre violência cotidiana.

Ainda com menor volume de postagens e presença na condução do debate político, educação pública continua vinculada a pautas de direitos humanos e às mudanças administrativas na gestão educacional do país, sem um eixo de discussão que se aproxime dos outros macrotemas da agenda; entretanto, saúde pública — tema que permanecia discreto nas redes sociais — ganhou maior força esta semana, a partir do papel público (e, em especial, do SUS) nas operações de resgate das vítimas de Brumadinho.