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Menções a protestos no Twitter se igualam às do maior ato de 2015

Agitação nas redes sociais em torno das manifestações de domingo, 13, é similar à ocorrida em março do ano passado, quando houve recorde de pessoas nas ruas

há 2 anos

As menções no Twitter aos protestos contra o governo no domingo, 13 de março, já se equiparam às ocorridas nos dias que precederam à manifestação de 15 de março do ano passado, que reuniram um número recorde de participantes nas ruas no Brasil. Segundo o Monitor de Temas, ferramenta da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (FGV/DAPP) para pesquisa em redes sociais, houve na última quarta-feira, dia 10, cerca de 89 mil menções no Twitter. Na quinta-feira anterior ao ato do ano passado, o Monitor registrou 115 mil citações.

Na quarta-feira, dia 9, foram registradas cerca de 98 mil menções dos usuários da rede social, menos do que as da quarta anterior à manifestação recordista de 2015, quando ocorreram 144 mil. Já na terça-feira, dia 8, foram contabilizados 81 mil citações, mais do que na terça do ano anterior, com 74 mil. O Monitor de Temas faz uma análise quantitativa e qualitativa, a partir de palavras-chaves, como “protesto”, “impeachment”, “Vem Pra Rua”, além das hashtags que expressam apoio ou crítica ao governo.

Os dados produzidos pela FGV/DAPP foram destaque no noticiário do jornal Valor Econômico e no site do Financial Times nesta sexta-feira, 11. Em entrevista à publicação brasileira, o Diretor da FGV/DAPP, Marco Aurélio Ruediger, diz acreditar que a similaridade entre o número de menções indica que os protestos do dia 13 serão de grande magnitude. “Embora não se possa afirmar isso com 100% de certeza, eu diria que é bem provável que tenha uma dimensão parecida”, afirma.

De maneira geral, a movimentação Twitter nesta semana é superior à registrada nos protestos de abril e de agosto. A manifestação contra o governo da Presidente Dilma Rousseff, em dezembro, ficou fora da análise por coincidir com a aceitação do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Com o fato político, a mensuração isolada das menções específicas àquele protesto ficaria prejudicada.

Clima de radicalização

Ruediger ressalta que o clima de radicalização indica um cenário de divisão política e social para além da simples oposição ao governo. “Trata-se de um dissenso radical sobre a agenda pública e o modelo de desenvolvimento do Brasil nos próximos anos e décadas. Essa polarização extremada, que vem desde as eleições de 2014 e teve um agravamento importante desde a ‘condução coercitiva’ do ex-presidente Lula, indica a perspectiva de uma longa e custosa disputa entre os dois campos políticos”, analisa.

imagemA cisão social fica clara no gráfico ao lado, que evidencia a polarização entre as interações por meio do Twitter. Na parte de cima, a mancha vermelha indica as interações entre os perfis pró-governo, enquanto a macha azul na parte inferior, perfis de oposição e antipetistas. A mancha amarela, mais sutil, indica interações entre perfis “moderadores”, geralmente veículos noticiosos.

Além das menções aos protestos, a FGV/DAPP também pesquisou mais de 7 mil tweets contendo a palavra Lula entre os dias 4 e 10 de março, logo após a deflagração da 24ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Aletheia, na qual o ex-presidente foi levado coercitivamente a prestar depoimento na sede da Polícia Federal. O grafo também sugere uma profunda divisão entre usuários do Twitter pró e contra Lula. “A formação de consenso no país está seriamente comprometida”, diagnostica Ruediger na matéria do Financial Times.


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