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#MiercolesNegro: movimento feminista argentino mobiliza as redes

A chamada para os atos desta quarta surgiu em resposta ao assassinato de Lucía Pérez, que tinha apenas 16 anos, e chocou o país por sua brutalidade

há 5 meses

O movimento feminista argentino “Ni Una Menos” surgiu em 2015 e desde então vem organizando atos de protesto contra o feminicídio, que chegaram a ser replicados em outros países da América Latina. O grupo surgiu como resposta à estatística de segurança fornecida pelo governo argentino, que mostrou um aumento de 78% dos crimes contra mulheres no país desde 2008.

Nesta quarta-feira, o movimento pediu que mulheres na Argentina fizessem greve durante uma hora e fossem às ruas protestar contra o feminicídio. Além disso, o movimento pedia que feministas vestissem preto para demonstrar o luto pela morte de mulheres vítimas do machismo, disseminando a ideia com o uso da hashtag #MiercolesNegro. A chamada para os atos desta quarta surgiu em resposta ao assassinato de Lucía Pérez, que tinha apenas 16 anos, e chocou o país por sua brutalidade. Os três suspeitos de cometer o crime no dia 15 de Outubro teriam lavado o corpo da jovem e trocado suas roupas para poderem acobertar o crime, alegando que Lucía teria sofrido uma overdose. No entanto, o laudo médico mostrou que a jovem havia sido violentada sexualmente de inúmeras formas, inclusive com um objeto pontiagudo como um bastão. Nas redes, muitas mulheres, principalmente na América Latina e no México, demonstram solidariedade ao ocorrido, postando imagens de apoio com as hashtags do movimento.

No gráfico abaixo, podemos ver a repercussão em torno das expressões “Ni Una Menos”, “Miércoles Negro”, “Vivas Nos Queremos” e suas respectivas hashtags no Twitter. Cada ponto de luz representa um tweet usando ao menos uma dessas três hashtags e/ou expressões.

Podemos verificar no mapa acima que as áreas com maior luminosidade correspondem em sua maioria a países onde a língua oficial é o espanhol, concentrando-se especialmente na América Latina, México e Espanha. O Brasil, por sua vez, se manifestou de forma mais tímida nas redes, sendo responsável por apenas 9500 tweets, provavelmente por não utilizar o espanhol como língua corrente. No total foram coletados 588.400 tweets de 58.356 usuários diferentes. As duas capitais com maior número de postagens são Buenos Aires e Santiago. Os 10 termos mais utilizados podem ser visualizadas na nuvem de palavras abaixo.

Para o irmão de Lucía, Matías Pérez, “Temos que juntar forças e sair para as ruas, para gritarmos todos juntos, e agora mais do que nunca: ‘Nem uma a menos’. Somente assim, evitaremos que matem mais milhares de Lúcias. Somente assim poderemos fechar seus olhos, para vê-la descansar em paz”. Nesta quarta-feira negra, mais de 58 mil pessoas gritaram “Nem uma a menos” com eles.


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