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Moradores do Complexo do Alemão realizam ação contra alto de violência

há 2 anos

A campanha nas redes sociais #TaTudoErrado foi lançada no final do mês de agosto com o propósito de chamar atenção para a questão da violência que os bairros enfrentam há mais de um ano, com tiroteios diários, alguns em plena luz do dia. A ação obteve repercussão e mobilizou diversos apoios nas redes sociais. Além da internet, a campanha convocou a comunidade para participar de atividades na rua contra violência.

Morrem eles que estão envolvidos na guerra e morremos nós que estamos no meio dela” é uma das frases destacadas de uma publicação feita pela página do Facebook do Coletivo Papo Reto, de comunicação independente feito por jovens moradores do Complexo do Alemão e Penha, que organizou a campanha e convocou moradores para as ações na rua, que ocorreram durante um mês com a realização de duas caminhadas, uma vigília noturna em parceria com as religiões atuantes na região e uma ação cultural. As reinvindicações centrais foram pelo direito de ir e vir, segurança, fim da violência, conflitos bélicos no Complexo entre outras.

A FGV-DAPP realizou uma análise das menções sobre o Complexo do Alemão. Em agosto, foram registradas 5.944 menções relacionadas aos acontecimentos na região. A hashtag “soscpx”, “morro”, a comunidade “Nova Brasília”, “fogo”, “moradores” e “cessar” foram os cinco temas mais citados quando os usuários tuitaram acerca do Complexo do Alemão. Já as hashtags #soscpx, #paznoalemão e #SOScpxalemao foram as três hashtags mais ativas no Twitter. Através de uma análise qualitativa, a nuvem de palavras mostra que, “queremos”, “ajude”, “tiroteio”, “morte”, “guerra”, “intenso”, “soscpx”, “paznoalemão”, “soscpxmoradores” foram as palavras mais mencionadas.

Um dado divulgado pelo jornal O Dia mostra que, somente no mês de agosto, houve uma pessoa baleada a cada três dias. Neste ano, de acordo com o jornal comunitário Voz das Comunidades, 57 pessoas foram atingidas por tiros, entre moradores e policiais.

O Complexo do Alemão começou a ser ocupado por policiais militares e forças armadas no final de 2010. Após dois anos de atuação no território, em 2012, foram instaladas bases da UPP na região. Mesmo após a ocupação da Polícia Militar, moradores relatam situações de violência e falta de segurança, com crescentes mortes e tiroteios.

Para a pesquisadora da FGV-DAPP, doutora em sociologia e mestre em direitos humanos, Roberta Novis, as ações que os moradores do Complexo do Alemão e Penha têm feito em relação à violência é de extrema importância para não só denunciar os abusos ocorridos no local, como também para nortear um real desenvolvimento social local, que, para a pesquisadora, só pode ser feito através de um processo participativo. “As UPPS não conseguem mais romper com a lógica do controle armado do território, não só do Complexo do Alemão. Sem uma transformação das polícias e investimentos sociais pesados, o projeto de pacificação corre sérios riscos de sustentabilidade. A segurança pública deve passar pelo fortalecimento do Estado no âmbito das políticas públicas e também de contato com a sociedade civil”, afirmou Roberta Novis, que também referenciou as Casas de Justiça implementadas na Colômbia como “um bom exemplo de aproximação de moradores com a justiça e a segurança cidadã.


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