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Morte de Marielle mobiliza 157 mil menções no Twitter associadas a presidenciáveis, aponta DAPP Report

O maior volume absoluto registrado foi em relação a Bolsonaro, com 80,9 mil publicações; debates sobre Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila tiveram maior impacto da associação com Marielle (40% e 23%)

há 3 meses

O assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, na quarta-feira, dia 14 de março, impactou de forma expressiva nas discussões nas redes sociais sobre as eleições de 2018, gerando 156,8 mil postagens sobre os atuais presidenciáveis — tanto à direita e quanto à esquerda —, com notável presença de referências ao único dos principais candidatos que não se manifestou: o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Foi significativa, quanto ao volume, a associação de Marielle a cinco atores monitorados: além de Bolsonaro, o ex-presidente Lula, o presidente Michel Temer, a candidata do PC do B, Manuela D’Ávila, e o presidenciável do Psol, Guilherme Boulos.

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De 14 a 21 de março, o maior volume absoluto registrado foi em relação a Bolsonaro: 80,9 mil publicações mencionam a vereadora junto ao deputado ou a qualquer um de seus filhos políticos, representando 19,8% de todo o debate sobre o deputado no período (apenas entre 14 e 17 de março foram 57,5 mil menções). Temer é destacado em 34,4 mil publicações (15 %), e Lula, em 44,2 mil (6,4%).

O impacto proporcional mais notável, entretanto, foi no engajamento de postagens sobre Manuela e Boulos, que compartilham espaço parecido no espectro político e ideológico das redes sociais e mobilizaram seguidores a defender o legado da vereadora, com críticas a notícias falsas e posições negativas quanto à morte de Marielle. Cerca de 40% das 19,7 mil postagens sobre Boulos de 14 a 21 de março fizeram referência à companheira de Psol, e 23,2% das 28,8 mil publicações sobre a presidenciável do PCdoB.

>> Leia também: DAPP Report: Bolsonaro domina debate entre presidenciáveis da direita e da centro-direita

>>Lula centraliza debate no campo da esquerda apesar de derrotas na Justiça

O mapa de interações a seguir agrega os 126,2 mil retuítes feitos sobre Marielle e ao menos um dos presidenciáveis, coletados entre as 22h de quarta-feira (14 de março) e a 0h de 21 de março, e mostra como três grandes grupos foram conformados. Dos pré-candidatos, Bolsonaro foi o único que não se manifestou no Twitter sobre a morte da vereadora; por opção metodológica, a FGV DAPP analisou também o impacto de publicações de seus filhos, que compartilham a mesma posição política e eleitorado.

 

No compasso do aumento de debate sobre a intervenção federal, manteve-se forte a presença de Temer em associação à segurança pública, sem, no entanto, conseguir ocupar o espaço de Bolsonaro na discussão , principalmente por conta da morte de Marielle, que ensejou questionamentos à legitimidade da ação militar nas comunidades e à atuação policial no Rio de Janeiro, assim como comentários sobre milícias, tráfico de drogas e o alto número de homicídios no país.


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