Mortes violentas contrariam tendência da capital e crescem no interior do Rio de Janeiro, aponta estudo

Levantamento realizado pela FGV DAPP mostra que, nos últimos quinze anos, incidência de assassinatos e autos de resistência migraram para o interior do estado

há 11 meses

Entre os anos de 2003 e 2012 os índices de mortes violentas no Rio de Janeiro apresentavam uma tendência de queda – mais acentuada a partir de 2008, com a criação do programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Essa tendência, porém, parece ter se revertido. De 2013 até 2018, a letalidade violenta aumentou de 28,4 mortes por 100 mil habitantes para 39,2 – um crescimento de quase 40%. Mais do que isso, a chamada letalidade violenta vem migrando da capital para a região metropolitana e o interior do estado.

É o que mostra o levantamento Interiorização da violência no Rio de Janeiro feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas. O estudo, feito a partir de dados produzidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), que desde 2003 compila e divulga as estatísticas criminais fluminenses em uma frequência mensal. A letalidade violenta engloba todos os assassinatos e compila não somente os casos de homicídio doloso, mas, também, os de lesão corporal seguida de morte, os de latrocínio e os de morte por intervenção policial, conhecidos como autos de resistência.

Um principais exemplos é a 137ª Delegacia de Polícia (DP), localizada em Miracema, cuja taxa de letalidade violenta passou de 0 por 100 mil habitantes entre 2003 e 2004 para 34 em 2018. Para 2019 a cifra já alcançou 41, com dados até novembro. Já na 121ª DP, de Casimiro de Abreu, o salto foi de 16 por 100 mil habitantes em 2003 para 60 em 2018. Na tendência inversa, a 6ª DP (Cidade Nova) apresentou queda média de 10% ao ano nos índices, passando de 170 para 56 mortes violentas por 100 mil habitantes entre 2003 e 2018. Já na 20ª DP, em Vila Isabel, a queda foi de 31 para 11 mortes violentas por 100 mil habitantes. Ambas estão localizadas na capital. O recorte  territorial é feito a partir das Circunscrições Integradas de Segurança Pública no Rio de Janeiro (CISPs), divisões usadas no planejamento da ação policial correspondentes à jurisdição de uma DP.