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O Rio em perspectiva: desemprego ainda crescente

Taxa de desemprego sobe para 11,4%. Soma da população desocupada, subocupada ou em desalento atinge meio milhão de pessoas

há 4 meses por Wagner Oliveira, Andressa Falconiery, Bárbara Barbosa, Paulo Jannuzzi

Em mais uma análise conjuntural do município a partir do estudo “O Rio em perspectiva: um diagnóstico de escolhas públicas”, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV, atualiza o cenário do mercado de trabalho carioca, a partir dos dados recém divulgados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua do primeiro trimestre de 2017.

Há três anos, o desemprego no município era em torno de 4% da população economicamente ativa. Já no final de 2016, a situação era completamente diferente, com 10,4% da população desocupada. Refletindo o comportamento geral do mercado de trabalho do país nos últimos meses, o desemprego no município do Rio de Janeiro chegou a 11,4% da população economicamente ativa no primeiro trimestre de 2017. É a maior taxa de desemprego que o IBGE levantou para o município desde 2012, quando a Pnad passou a ser divulgada por nova metodologia de pesquisa.

As taxas da região metropolitana e do estado mantêm-se em patamar significativamente mais elevado, acima de 14% de desemprego, superando a cifra nacional (13,7%). Embora mais baixo, o desemprego no município começa a se aproximar do nível nacional. Esse quadro é bem diferente de meados de 2015, quando o desemprego no município chegou a ser metade do nacional e manteve-se em queda por mais tempo — seis meses — enquanto subia a desocupação no país, no estado e na região metropolitana.

No primeiro trimestre de 2017, contabiliza-se um total de 382 mil desocupados, o triplo do que se estimava no segundo trimestre de 2015, revelando o ritmo acelerado de deterioração do emprego no município nos dois últimos anos. Em comparação com a análise realizada anteriormente, há um aumento de 37 mil pessoas desocupadas no município.

O quadro é ainda pior ao se considerar um indicador ampliado de desocupação e subutilização da mão de obra (por insuficiência de horas de trabalho ou por desalento de procura):  o contingente de residentes no município nessa situação chega a 500 mil pessoas, cifra similar à observada há cinco anos atrás. Além disso, outras 591 mil pessoas estão na mesma situação nas demais cidades que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, totalizando mais de 1 milhão de pessoas que podem pressionar mais os serviços públicos municipais. E, lamentavelmente ainda não há perspectivas sustentáveis de arrefecimento destas tendências, a julgar pelo que se observa no quadro nacional, para o qual se tem estatísticas do trabalho mais regulares.

Diante dessa situação, os serviços públicos podem sofrer uma pressão adicional de demanda. Como foi mostrado anteriormente, o aumento do número de pessoas sem plano de saúde e o aumento da procura por agendamentos no sistema municipal de saúde são indícios dessa demanda adicional. Enquanto indicadores sociais mais atualizados não estão disponíveis para permitir uma aferição mais ampla da conjuntura social do município, os dados do mercado de trabalho já apontam preocupações, traçando um cenário diferente do que havia sido caracterizado no contexto olímpico.

Leia abaixo a íntegra do estudo lançado em abril:

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