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Lei Maria da Penha: 66% do debate é feito por mulheres no Twitter

Debate sobre o tema se intensificou com a divulgação das imagens da morte da advogada Tatiane Spitzner; desde a última sexta (03), houve 498,7 mil tuítes sobre violência contra a mulher

Atualizado em 15 de agosto, 2018 às 12:30 pm

Os doze anos da Lei Maria da Penha, comemorados ontem, e a comoção com a morte da advogada Tatiane Spitzner e com outros casos noticiados desde a última semana despertaram, no Twitter, expressiva onda de engajamentos críticos à violência contra a mulher no Brasil e que, em ampla maioria, foram mobilizados na rede social por mulheres. Da última sexta-feira (03) até as 10h desta quarta (08), houve 498,7 mil tuítes sobre o tema, dos quais 66% foram feitos por contas femininas, com pico às 20h desta terça (07): 184 tuítes por minuto. E, dentre as 30 postagens com maior volume de retuítes sobre o episódio, 22 foram feitas por mulheres.

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Intensificou-se a atenção das redes sociais em relação ao tema a partir da divulgação, na sexta, dos vídeos que mostram como a advogada foi vítima de sucessivas agressões pelo marido no prédio em que moravam, na cidade paranaense de Guarapuava, até cair do quarto andar do edifício. A indignação com os detalhes da morte de Tatiane passou a impulsionar, desde então, discussões associadas ao feminicídio, à visão da sociedade sobre brigas conjugais e ao machismo — muitas com alusões ao cenário eleitoral.

Referências ao ditado “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, por exemplo, responderam por 22% do debate e foram o subtópico mais representativo vinculado à questão de violência contra a mulher. Tuítes de alta viralização questionaram a validade do ditado, com exortações à sociedade para que preste auxílio em situações de abuso, podendo evitar casos como o de Tatiane, usado como exemplo em função da abundância de evidências de agressão — sem, no entanto, que ninguém no prédio ou na localidade chamasse a polícia ou interviesse.

Já menções à tipificação criminal de feminicídio, que engajou ainda debates de natureza jurídica e política, representaram 20% da discussão. Ao abordar a necessidade de legislação específica para proteger mulheres ameaçadas, grupo predominante se posicionou favorável, com críticas à forma como o tópico vem sendo abordado por campanhas eleitorais. No entanto, um núcleo de perfis questionou a diferença entre feminicídio e homicídio e, com base nos casos de violência contra a mulher, defendeu o endurecimento da punição a qualquer assassinato, sem distinção de gênero, e o porte de armas como instrumento de defesa da mulher em situação abusiva. Referências específicas ao aniversário de 12 anos da Lei Maria da Penha responderam por 8% do debate geral, desde a última sexta.