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Definição de pré-candidatos a vices dividem debates sobre chapas

Mais de 60% das menções discutem a chapa tripla do PT; postagens mais retuitadas sobre chapa de Bolsonaro mencionam membro da família real

Atualizado em 9 de agosto, 2018 às 6:35 pm

O anúncio dos últimos pré-candidatos à Vice-Presidência nas eleições de 2018 mobilizou, entre quinta (02) e a última segunda-feira (06), 684.630 menções no Twitter. Pouco mais de 60% das publicações se refere à chapa “tríplice” criada pela cúpula do PT: a candidatura de Lula, com Haddad como vice e Manuela D’Ávila (PC do B) como espécie de segunda vice em caso de impossibilidade da candidatura do ex-presidente. Em seguida, tiveram maior repercussão as escolhas do general Hamilton Mourão para a chapa de Jair Bolsonaro (24,7%) e da senadora Ana Amélia, na chapa de Geraldo Alckmin (13,9%).

Menções sobre o anúncio dos vices no Twitter – de 2.ago a 6.ago

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

A aliança “triplex”

Entre as menções mais retuitadas sobre a chapa petista, destacam-se, por um lado, elogios à escolha de Haddad — em especial com referências positivas sobre sua gestão no Ministério da Educação. Parte dos usuários comenta que passaria a considerar o voto no PT se Haddad liderasse a chapa. No entanto, também tiveram repercussão referências que apontam o ex-prefeito de São Paulo como uma opção menos viável para a esquerda do que Ciro Gomes, sugerindo que a não concretização de uma aliança entre PT e PDT teria sido um erro.

A entrada do PCdoB na coligação também dividiu opiniões. Alguns usuários afirmam que Manuela se contradiz ao aderir à chapa de Lula — visto como machista por esses usuários —, uma vez que o feminismo é uma das suas principais bandeiras. Também há críticas ao PT pelo modo como teria tratado Manuela como “plano B”, e usuários que afirmam que a parlamentar gaúcha não deveria ter aceito o convite devido ao tratamento recebido dos novos aliados. Já as menções elogiosas à inclusão de Manuela na chapa abordam a ideia de união da esquerda, que ofereceria nova opção para um segundo turno. Em tom ora elogioso ora irônico, os usuários chamam a chapa Lula/Haddad/Manuela de verdadeiro “triplex”.

Príncipe era o preferido

O escolhido para disputar o pleito deste ano ao lado de Bolsonaro, por sua vez, aparece descrito entre as principais menções ao assunto como um homem íntegro, mas truculento, que teria sido escolhido para blindar o pré-candidato do PSL contra uma eventual tentativa de impeachment, caso eleito. A chapa “puro sangue”, como tem sido chamada no Twitter, composta por dois militares, por um lado agrada a uma parte dos usuários da rede, que argumenta que as Forças Armadas seriam a instituição em que os brasileiros mais confiam. No entanto, também há tuítes que criticam a união, afirmando que uma candidatura 100% militar pode assustar eleitores indecisos. São significativas, ainda, as comparações entre a chapa Bolsonaro/Mourão e Alckmin/Ana Amélia e Lula/Haddad/Manuela, destacando que a primeira seria mais honesta por não ter nem o apoio do Centrão nem integrantes presos.

De modo geral, contudo, as postagens mais retuitadas apontaram preferência dos usuários da rede ao nome de Luiz Philippe de Orleans e Bragança, membro da família real brasileira, para a Vice-Presidência. Apesar disso, predominam tuítes que afirmam que a escolha do vice é secundária e que não influenciaria, em sua opinião, a decisão de voto em Bolsonaro. A especulação em torno de uma aliança com o príncipe resultou, ainda, em postagens em tom de brincadeira sobre um possível golpe para restaurar a monarquia.

Decisão tucana não agradou

Já a chapa de Ana Amélia e Alckmin é bastante questionada. Entre as críticas à senadora, destacam-se as que apontam a adesão à chapa como uma traição aos seus eleitores, uma vez que a coligação é tomada, por esses usuários, como corrupta. Há também publicações que acusam Alckmin de ter feito uma escolha errada. Tais postagens afirmam que a pré-candidata apoiou Manuela nas eleições para a prefeitura de Porto Alegre (RS), em 2012, e votou a favor da Lei de Migração — o que, para esses usuários, afastaria Alckmin da direita —, além de a acusarem de ter sido funcionária fantasma no Senado, antes de eleita.

Em menor número, mas também com expressiva repercussão, estão publicações que compreendem a escolha tucana como uma tentativa de conquistar votos da direita no Sul do país. No entanto, tal “intenção” pode ter sido, de acordo com tais tuítes, frustrada pela escolha do general Mourão por Bolsonaro. São relevantes, ainda, as postagens que reclamam da composição desta e de outras chapas, formadas apenas por pré-candidatos do Sul e do Sudeste. Há, também, críticas pontuais ao movimento feminista que valorizaria mais as pré-candidatas a vice de esquerda do que as pré-candidatas de direita, como Ana Amélia.

Debate equilibrado

A análise dos tuítes sobre a composição de uma chapa integralmente pedetista, com a escolha de Kátia Abreu para vice de Ciro, mostra um debate bastante equilibrado entre as postagens mais retuitadas. Entre as críticas, destacam-se a relação da senadora com o agronegócio e com empresas supostamente denunciadas por trabalho escravo, o que apontaria uma contradição de Ciro, que tem na pauta trabalhista um dos carros chefes de sua campanha. Para tais usuários, ele perderia votos graças à escolha “equivocada”. Há, aqui, muitas menções também à vice de Guilherme Boulos, Sônia Guajajara, principalmente em referência ao prêmio irônico “Motosserra de Ouro”, do Greenpeace, entregue a Kátia Abreu pela ativista indígena. Alguns tuítes de significativa repercussão também acusam Ciro de ter se rendido à “vaidade” ao supostamente ter negado a vaga de vice na chapa de Lula.

As menções elogiosas mais retuitadas, por sua vez, traçam o perfil da senadora como uma mulher forte, que construiu uma carreira em um meio notadamente machista e que não teria medido esforços para apoiar a ex-presidente Dilma Rousseff. A postura pró-ruralista, assim, é descrita como menos importante diante do seu “caráter”. A chapa é percebida também como uma tentativa de recolocar um projeto desenvolvimentista para o país em oposição ao discurso liberal e privatizante do governo de Michel Temer.
Aceno ao campo progressista

A escolha de Eduardo Jorge por Marina Silva também foi bastante criticada no Twitter, inclusive por representantes de grupos religiosos, graças ao modo como o ex-deputado aborda abertamente e de forma positiva pautas progressistas. Para os usuários a aliança poderia significar uma tentativa da candidata de se posicionar como uma alternativa para o campo progressista e de se desvincular de setores empresariais e religiosos, que teriam “manchado” a sua candidatura em 2014. Outro fato de grande repercussão na rede foi a especulação de Eduardo Bandeira de Mello para o posto hoje ocupado por Eduardo Jorge. Bandeira, que é presidente do Flamengo, comentou que “vice é coisa o Vasco”, o que gerou forte repercussão de torcedores de futebol na rede social.