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Paralisação gera 8,85 milhões de tuítes, mostra DAPP Report

Após novas ações do governo para conter os bloqueios e normalizar o abastecimento, discussão começa a arrefecer

há 5 meses

A partir de domingo (20), quando começaram as discussões sobre a greve dos caminhoneiros nas redes sociais, o assunto se expandiu em acelerada espiral, até concentrar por inteiro as atenções da sociedade civil. Com pico de quase 2 milhões de tuítes na sexta-feira (25) e volume acumulado, desde domingo (20), de 8,85 milhões de posts, o debate vinculado ao preço dos combustíveis e à greve despontou como um dos principais eventos políticos dos últimos anos em redes sociais. Manteve proporção equivalente, por exemplo, à repercussão do assassinato de Marielle Franco, do julgamento e prisão de Lula e do impeachment de Dilma Rousseff.

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Apenas a partir desta segunda-feira (28), após novas ações do governo para conter os bloqueios e normalizar o abastecimento, começou a arrefecer a discussão sobre a paralisação. Desde segunda, foram 1,9 milhão de tuítes: 703 mil nesta terça e 184,6 mil até o meio-dia de hoje.

>>Leia mais: Debate sobre intervenção militar motiva 952,5 mil menções impulsionado pela greve dos caminhoneiros

>> Veja também: Menções à greve dos caminhoneiros superam protestos pró-impeachment de 2015/16 e Greve Geral de 2017

O mapa de interações sobre a greve dos caminhoneiros no Twitter analisou uma amostra de 427.756 tuítes e 302.793 retuítes. De forma geral, as discussões continuam demonstrando amplo apoio à greve. No entanto, começam a surgir algumas preocupações em relação às respostas do governo, como de onde serão cortados gastos para financiar o subsídio aos combustíveis.

Composto por setores de direita, o grupo azul mobilizou cerca de 13% dos perfis e tem como principal influenciador o deputado federal Jair Bolsonaro, que demonstrou apoio à greve. O grupo, de forma geral, demonstra preocupação em relação a quem vai pagar a conta do subsídio aos combustíveis, citando exemplos de onde o governo poderia cortar gastos.

O grupo vermelho, por sua vez, representa 9,46% do debate e se opõe ao grupo azul ideologicamente. Composto majoritariamente por perfis alinhados à esquerda, o grupo conta com a presença do ex-presidente Lula. Os perfis apoiam a diminuição do custo dos combustíveis e criticam o posicionamento de Temer e de seu governo, ironizando a fala do presidente quanto à preocupação com a saúde em meio a greve, uma vez que o mesmo congelou os gastos na área por 20 anos.

Por fim, a maioria dos tuítes dos grupos verde-claro, rosa e verde-escuro foi de piadas a respeito da greve e também da resposta do governo à paralisação. Somados, os grupos correspondem a 23,44% do debate e demonstram apoio à greve, mas se preocupam com o corte de gastos indicado pelo governo para subsidiar o combustível. Como solução, muitos indicam cortar as “mordomias” dos políticos e indicam, usando a hashtag #NaoTemAcordoComCorrupto, que se recusam a pagar a conta enquanto o governo mantiver tais gastos. Além disso, os grupos criticam as emissoras de TV que tentaram, segundo os internautas, culpabilizar a greve pela falta de recursos em serviços públicos como saúde, quando na realidade o país sofre por conta da falta de investimento.

Notícias a respeito da greve também angariaram engajamento significativo no Facebook e no Twitter entre os dias 20 e 29 de maio — período em que foram registrados 52,2 mil links que tratam da paralisação e seus efeitos. No Facebook, o engajamento foi de 24,7 milhões de curtidas, compartilhamentos e comentários. No Twitter, o compartilhamento feito por perfis de influenciadores (com maior número de seguidores) alcançou 198 mil interações.

Atores Políticos

Com intensa participação no Facebook ao longo da semana, com reiteradas manifestações de atuação no Senado e em defesa da redução do PIS/Cofins, Alvaro Dias voltou a se posicionar atrás apenas de Lula e Bolsonaro em volume de engajamentos, levando João Amoêdo para a quarta posição. E o deputado federal, durante a greve, se distanciou inclusive de Lula quanto às interações que recebeu, em tendência que se iniciou após a prisão do petista.

Com foco crítico na carga tributária, no peso do Estado (e das estatais) e nos desperdícios de dinheiro público por parte do governo federal, Dias e Amoêdo conseguiram maior alcance e interações do que Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos, cujo discurso foi mais direcionado às responsabilidades de Temer, em críticas à política de preços da Petrobras e na rejeição à intervenção militar. Ao divulgar a entrevista de Ciro na TV, a página do pré-candidato do PDT também conseguiu volume incomum de interações, enquanto Marina Silva continua com atividade irregular na rede social, atraindo baixa média de engajamentos.

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