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Pesquisa da FGV DAPP identifica uso de robôs em 13% do debate nas redes por boicote à exposição Queermuseu

Foram coletavas 778 mil postagens no Twitter em uma semana, quando houve crescimento exponencial do debate nas redes

há 3 meses

O levantamento realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) sobre o cancelamento da exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira”, em Porto Alegre, coletou 778 mil postagens, no Twitter, entre a 0h de 08 de setembro e as 12h de 15 de setembro — apenas a partir de 10 de setembro, de fato, o debate cresceu de forma exponencial na rede social.

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Sob esse recorte, houve a elaboração de um grafo, que identifica visualmente os dois grupos em oposição no debate: em azul, aqueles que são contrários à exposição; em vermelho, aqueles que defenderam a continuidade da mostra. E, conforme a plataforma utilizada para a produção dos tweets ou o padrão temporal de publicação de tweets da mesma conta, identificamos as contas que atuaram automaticamente no debate — é importante ressaltar que a identificação da presença de robôs nos campos de debate não oferece indicativos sobre atores ou identidades responsáveis pelo seu engajamento.

Uma vez realizados esses processos, houve o reconhecimento de 12,97% das interações do cluster azul com indicação de atividade de robôs, e 7,16% das interações do cluster vermelho. No total, 8,69% das interações do grafo foram identificadas como provenientes do uso de robôs na divulgação de mensagens que participaram da discussão geral sobre a exposição cancelada em Porto Alegre.

O grafo ainda mostra o grupo vermelho mais difuso, o que revela maior espectro de discussão e diversidade de argumentos. O grupo azul, bem concentrado, revela maior unidade na argumentação. Quantitativamente, são praticamente equivalentes em número de contas e interações.

Sobre o levantamento

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV reitera que o processo de identificação e checagem de indícios de atividade robotizada não deve obedecer unicamente, por razões de precisão metodológica, a parâmetros volumétricos. Ou seja, a simples identificação de um notável aumento de referências a um determinado termo, palavra-chave ou expressão não obrigatoriamente indica engajamento de perfis-robôs. E raramente é a métrica mais pertinente para que se faça a investigação de postagens automatizadas sobre qualquer assunto, em qualquer período de análise. A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV reitera que o processo de identificação e checagem de indícios de atividade robotizada não deve obedecer unicamente, por razões de precisão metodológica, a parâmetros volumétricos. Ou seja, a simples identificação de um notável aumento de referências a um determinado termo, palavra-chave ou expressão não obrigatoriamente indica engajamento de perfis-robôs. E raramente é a métrica mais pertinente para que se faça a investigação de postagens automatizadas sobre qualquer assunto, em qualquer período de análise.

Em primeiro lugar, por causa da natureza própria do debate público em redes sociais, que acompanha temáticas, atores e pontos de interesse da sociedade civil em conformidade com as mudanças e acontecimentos do debate, sempre variável e suscetível à relevância do que é imediato, atual, recém-ascendente. O aumento no volume de menções hipotético ao Santander, com base nesse recorte exemplificado, se justifica, segundo levantamento da FGV DAPP, pela presença de referências ao banco sob o contexto da exposição cancelada, que gerou centenas de milhares de menções no Twitter. Não aponta — necessariamente — a uma atividade robotizada, mas, neste caso, evidencia o aumento de interesse dos usuários em um assunto emergente, que adquire abrangência na rede social.

Em segundo lugar, é importante compreender que o debate sobre determinado tema pode abarcar diferentes aspectos, nem todos necessariamente relevantes para o estudo em questão. Nesse sentido, analisamos o debate geral para construir um recorte linguístico considerando apenas o campo semântico utilizado para, neste caso, analisar o debate acerca da exposição cancelada. O banco Santander pode ser associado, por exemplo, a competições de futebol, à relação com os clientes e a diversos outros assuntos não relevantes para o debate sobre a exposição, mas a metodologia de filtragem e qualificação do debate coletado feita pela DAPP permite concluir que parte considerável do aumento de referências ao Santander seja, de fato, por causa da mostra cancelada.

A identificação da atividade de robôs deve ser realizada após a coleta (verificada e filtrada) da base de dados sobre a mostra cancelada — e, por isso, é preciso pesquisar postagens com dezenas de outras associações lexicais e articulações semânticas. Por exemplo: o debate amplo sobre o conceito de “arte”, os questionamentos sobre pedofilia, o debate de homofobia, censura, boicote e religião e as menções aos demais atores envolvidos, além do banco Santander — que é apenas uma figura desse debate. Todos esses subtemas, evidentemente, recortados sob a narrativa principal, que é a exposição cancelada e as discussões subsequentes que emergiram no Twitter em função da mostra.

Portanto, as informações fornecidas pela FGV DAPP obedecem a esses critérios de pesquisa, não sendo relacionadas, por causalidade, apenas ao eventual aumento de referências sobre o Santander em um período qualquer de debate.


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