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Pesquisa realizada pela DAPP indica politização e mudança de perfil em “rolezinho” no Leblon

Pesquisa realizada pela DAPP-FGV durante o “rolezinho” do Shopping Leblon, ocorrido no dia 22 de janeiro, indicou uma mudança de perfil em relação aos primeiros eventos, surgidos em São Paulo (SP). Segundo survey realizado com participantes do ato, 54% dos “rolezeiros” tinham 25 anos ou mais, e 63% possuíam curso superior completo ou incompleto. A […]

há 4 anos

Pesquisa realizada pela DAPP-FGV durante o “rolezinho” do Shopping Leblon, ocorrido no dia 22 de janeiro, indicou uma mudança de perfil em relação aos primeiros eventos, surgidos em São Paulo (SP). Segundo survey realizado com participantes do ato, 54% dos “rolezeiros” tinham 25 anos ou mais, e 63% possuíam curso superior completo ou incompleto.

A pesquisa ouviu 260 pessoas de um total de 300 presentes, segundo a Polícia Militar. O “rolezinho” foi realizado na calçada em frente ao shopping, que não abriu as portas devido ao ato.

A estratificação por renda dos “rolezeiros” indicou que 43% possuíam renda familiar de até quatro salários mínimos, pertencendo portanto às classes D e E, de acordo com os critérios do IBGE. Outros 25% pertenciam à classe C, recebendo de quatro a dez salários mínimos, e 32% tinham renda acima de dez salários mínimos, sendo assim das classes A e B.

A pesquisa da FGV mostrou ainda um crescimento de motivações políticas na organização do “rolezinho” carioca: 84% dos entrevistados afirmaram ter interesse por política, embora não se sintam representados pelos políticos atuais (88%).

Os “rolezinhos” ganharam repercussão a partir de dezembro de 2012, quando jovens com idade estimada entre 14 e 17 anos, moradores da periferia de São Paulo e articulados a partir das redes sociais – Facebook, sobretudo –, marcaram encontros em shopping centers. A ação dos jovens gerou uma série de debates na mídia e entre estudiosos em torno de suas características e potencial de expansão a algo nos moldes das manifestações ocorridas em junho de 2013.

A partir da pesquisa da DAPP, é possível em síntese supor que o “rolezinho” realizado no Shopping Leblon assumiu contornos distintos do movimento original de São Paulo. Seus contornos foram mais políticos, e seus participantes tinham perfil distinto e histórico de participação política. Os dados permitem, por ora, afirmar que o ato convocado em apoio ao “rolezinho” pouco teve em comum com as características iniciais do movimento paulistano.


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