Possibilidade de soltura de presos em 2ª instância, gera 1,3 milhão de tuítes

Segurança pública volta a ser o tema mais associado ao novo governo com debate impulsionado por discussão sobre pena de morte e prisão de João de Deus; Especulações sobre cortes no Sistema S e debate sobre reformas previdenciária, trabalhista e tributária pautam menções sobre economia no Twitter

há 10 meses

Foi acelerado e bastante significativo no Twitter o impacto, na tarde desta quarta-feira (19), da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello de soltar presos condenados em segunda instância — medida que poderia significar a soltura do ex-presidente Lula e que, horas depois, foi suspensa pelo presidente do STF, Dias Toffoli. Entre 14h30m e 0h, foram 1.377.540 tuítes (981.689 retuítes) sobre o episódio, já excluídos robôs e interações suspeitas de automatização. Esse volume equivale ao obtido na repercussão de outros eventos de forte importância na rede este ano, inclusive relacionados ao próprio Lula, como as etapas do julgamento e condenação do ex-presidente no começo de 2018.

>> Confira a íntegra do DAPP Report

A polarização que reuniu os dois núcleos políticos que disputaram o segundo turno das eleições voltou a se manifestar em função da possibilidade de soltura de Lula, com a base de apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro ocupando o espaço principal de engajamento sobre o assunto (em tom crítico a Marco Aurélio e ao STF em geral) — em azul, com 33% dos perfis e 58,6% das interações identificadas. Foi contraposta pelo grupo em vermelho, que reuniu lideranças e partidos de esquerda e teve número bem menor de perfis (16,3%) e de interações (17,6%) participando do debate.

Entretanto, apesar de mantida a polarização entre favoráveis e contrários à soltura de Lula, percentual significativo das menções à decisão de Marco Aurélio se articulou em grupos menores, que não necessariamente se alinham apenas a partir da oposição ou do apoio à saída do ex-presidente da prisão. Segundo maior grupo do mapa de interações em número de perfis (32,1%), a base em rosa (13% de interações) faz uso de piadas e memes para satirizar, principalmente, o momento em que ocorreu a possibilidade de soltura de Lula, após já definida a eleição (e já impedido o ex-presidente de participar). O núcleo não manifesta posição militante em favor do petista, mas faz críticas a movimentos à direita e ao presidente eleito, com leitura mais conjuntural que personalista do fato político.

Da mesma forma, o grupo em laranja (7% dos perfis, 7,2% das interações), que declara contrariedade à libertação de Lula e de outros presos por corrupção condenados em segunda instância, também não se posiciona diretamente sob a base de apoio ao futuro governo, congregando outros atores e partidos à direita do espectro político. Além da questão específica de Lula, o grupo debate de forma contundente as decisões do STF e o impacto político e institucional da decisão de Marco Aurélio no atual momento do país. Em amarelo, grupo com 4,6% dos perfis e 2,2% das interações interage com contas (verdadeiras e falsas) da imprensa, usando recursos da linguagem jornalística para criticar problemas institucionais do país e, com hipérboles, destacar situações caóticas do cenário político brasileiro.

O debate no Twitter na semana

Entre 13 e 19 de dezembro, inverteram-se as posições, quanto ao volume de postagens, dos dois principais macrotemas do debate. Ainda forte item de discussão no Twitter, em função do noticiário ligado às investigações do Coaf e da composição ministerial da Presidência de Jair Bolsonaro, a corrupção perdeu espaço para segurança pública no período — apesar do novo impulso de referências ligadas ao ex-presidente Lula, nesta quarta (19), dada a decisão do ministro Marco Aurélio de libertar condenados em 2ª instância.

O predomínio da temática de segurança se deve à confluência de subtópicos ligados ao assunto que adquiriram destaque: a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes; a discussão sobre pena de morte, descartada pelo presidente eleito no Twitter, e que se associa à pauta de direitos humanos e de reforma do sistema prisional; a prisão do médium João de Deus, que engajou a questão do endurecimento de leis punitivas contra o estupro; o porte de armas, ainda sob esteio do massacre em Campinas; e, por fim, a decisão do ministro Marco Aurélio, que implicava na soltura potencial de milhares de presos por crimes violentos.

No debate econômico, a pauta do período relacionada ao presidente eleito se articula a partir das diferentes reformas propostas para o ano de 2019 — previdenciária, trabalhista e tributária — e da política de corte de gastos em estruturas como o Sistema S e as empresas estatais. Também o desemprego apresenta estável relevância, com postagens sobre o incentivo à retomada de contratações e a articulação com questões socioambientais, mobilizadas pelo anúncio de Bolsonaro de revisão da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Em saúde, o programa Mais Médicos ainda é o eixo principal de debate, assim como as discussões sobre a legislação do aborto.