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Projeto de lei sobre uso de agrotóxicos gera intensa oposição nas redes sociais, aponta FGV DAPP

Em menos de um mês, o debate motivou engajamento de celebridades e atores políticos em 64 mil tuítes

há 3 semanas

A votação por comissão especial da Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 6.299/02 obteve incomum repercussão no Twitter ao longo do mês de junho. De forma rara entre debates legislativos não diretamente associados a questões econômicas, fiscais ou políticas, o projeto dispõe sobre o uso de agrotóxicos, pesticidas e herbicidas na produção agrícola do Brasil e, em menos de um mês, motivou forte engajamento crítico de diferentes grupos e 64 mil tuítes, de 1º de junho a 26 de junho.

Na comissão da Câmara que debateu o PL 6.299/2002, foram 18 votos a favor e 9 contrários, a despeito da oposição de diferentes órgãos públicos, ONGs e entidades científicas e de saúde, como a Fiocruz e a Anvisa. No Twitter, esses grupos buscaram mobilizar a rejeição ao projeto a partir de hashtags, links informativos e reportagens da imprensa tradicional. Mas, dentre os quatro grupos de maior presença em campanha contra a aprovação do projeto, o principal foi político. Deputados e atores de partidos alinhados à esquerda (em rosa, no mapa de interações, com 29,9%), junto a celebridades, divulgaram notícias, vídeos e manifestos com acentuado discurso técnico de órgãos que se opuseram aos potenciais efeitos adversos na saúde dos brasileiros caso o PL seja sancionado. Nesse grupo, assim como nos demais que participaram do debate, o projeto foi rebatizado como “Lei do Veneno”, em alusão aos prejuízos à saúde dos consumidores. Outro elemento importante da argumentação dos perfis desse núcleo foi o componente econômico, com críticas aos interesses de empresas do setor químico ao lobby feito pela bancada ruralista na Câmara e aos benefícios fiscais concedidos à produção dos defensivos agrícolas.

O segundo grupo com maior volume de perfis engajados no debate é o verde, com 21,2% do grafo. Igualmente contrário ao PL, ele reúne organizações internacionais e brasileiras de defesa do meio ambiente e da sustentabilidade. O Greenpeace foi o ator de maior relevância no núcleo verde, apoiado por celebridades como a modelo Gisele Bündchen, e o eixo de rejeição ao projeto se baseou nos prejuízos tanto à natureza (poluição, desequilíbrio de fauna e flora, contaminação de rios e mananciais) quanto à saúde da população. O grupo amarelo (14,9%), dominado por jornalistas da grande imprensa, como André Trigueiro, teve importante papel de articulação com os perfis do núcleo em verde, que compartilharam reportagens e análises sobre os impactos da mudança na legislação do país.

Em laranja, o menor dentre os núcleos de oposição ao projeto concentrou 10,9% das contas do grafo e não foi conduzido por instituições ou figuras públicas, mas por piadas que apresentam visão ácida sobre a aprovação do PL. Perfis ironizaram a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista para argumentar que, com a “Lei do Veneno”, as pessoas não precisariam morrer de trabalhar ou antes de se aposentar, porque sofreriam com outros problemas de saúde antes da velhice. Também compartilharam histórias de cidadãos comuns que, supostamente, tiveram graves problemas pela exposição a agrotóxicos pela alimentação ou durante o trabalho nas colheitas.

O uso de robôs no engajamento negativo sobre o PL 6.299/02 não foi significativo e não chegou a 2% dos perfis de nenhum dos quatro grupos. Também não se verificou forte mobilização de grupos, no Twitter, em defesa da aprovação do projeto.


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