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Reação a boatos superou a difusão de informações contra Marielle no Twitter, aponta estudo da FGV DAPP

Entre 14 e 18 de março, o grupo que difundiu as respostas contra notícias falsas no Twitter e cobrou punições a quem criou boatos foi majoritário – 73% do total

há 9 meses

Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) mostra que a repercussão da morte da vereadora Marielle Franco, no Twitter, motivou 2,14 milhões de menções entre a quarta-feira (14/03, dia do crime) até a meia-noite de domingo (18/03) foi marcada por três grandes “ondas” na rede social. Nas primeiras 36h após o assassinato, o debate esteve concentrado no evento em si e foi marcado pelo sentimento de comoção, consternação e indignação — além de uma minoria de cerca de 7% de críticos à vereadora. Na sexta-feira pela manhã, começam a ganhar repercussão fake news sobre supostas ligações de Marielle com o tráfico, que “viralizam” no final da tarde a partir de um tuíte do deputado Alberto Fraga. Este segundo momento se estende por cerca de 24h, até a tarde de sábado, e é marcado pelo tom difamatório contra Marielle.

>> Confira em uma linha do tempo a repercussão nas redes do caso Marielle

O terceiro momento, por fim, é marcado pela onda de desmentido das fake news, que consegue deter os boatos ligados à vereadora e alcança um pico de menções por volta das 19h de sábado, representando quase o dobro dos tuítes que propagavam as notícias falsas. A terceira onda logra, nesse sentido, conter a propagação das notícias falsas e sedimenta o tom do debate até o final do domingo.

Um dos primeiros tuítes com uma notícia falsa sobre Marielle, identificado pela FGV DAPP, foi às 10h45 de sexta. Um usuário reproduz um vídeo, sem qualquer relação nas imagens com Marielle, mas ligando “garotos de chinelo sem camiseta” ao Comando Vermelho e afirmando que Marielle era ex-mulher do traficante Marcinho VP.

A análise da FGV DAPP revela, portanto, o sucesso de uma ação coletiva, que envolveu milhares de pessoas, de “contenção” da campanha difamatória a partir do desmentido das fake news que vinham se disseminando desde a sexta-feira.

O relatório mostra ainda que, entre 14 e 18 de março, o grupo que difundiu as respostas contra notícias falsas no Twitter era majoritário – 73% do total. O grupo que difundiu os boatos compunham 22% do total.

O diretor da FGV DAPP, Marco Aurelio Ruediger, aponta que os dados revelam um rompimento da “polarização muito tradicional da sociedade brasileira vista desde 2014”.

— A divisão dos partidos foi superada e a polarização perdeu terreno. Isso aponta que talvez uma das chaves para o sucesso eleitoral de propostas não seja a insistência na polarização dos campos, mas sim a discussão de temas transversais à sociedade brasileira, focada em valores. Parte do centro conservador não compra a “agenda” mais radicalizada de um setor da direita — destaca.


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