Ferramentas DAPP

Sabatina de Manuela gera debate polarizado e discussões sobre machismo e Bolsonaro, mostra DAPP Report

Posicionamentos de presidenciáveis sobre a área econômica provocam críticas nas redes

há 3 semanas

Principal fonte de debate semanal neste período de pré-campanha sobre os presidenciáveis, o programa “Roda Viva” tem modificado a cada segunda-feira a atenção de grupos que discutem as eleições nas redes sociais e reposicionado temas e nomes específicos no mapa do Twitter. Como mostra nova edição do DAPP Report – A semana nas redes, desta vez, e com particular força, a participação de Manuela D’Ávila no programa foi o motor das pautas da semana, seja pelo engajamento (compartilhado por perfis de toda a esquerda) de críticas à condução da entrevista, com queixas de machismo e de desvirtuamento das perguntas, seja pelo impulso dado à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, ambos protagonistas, com Manuela, das discussões levantadas no programa.

De segunda-feira (25) a quarta (27), a pré-candidata do PCdoB foi citada cerca de 200 mil vezes no Twitter, ascendendo em volume de menções aos números normalmente reservados a Lula, Bolsonaro e, nos últimos meses, Ciro Gomes em situações específicas. Mas, em contiguidade com a repercussão da entrevista, da postura de Manuela e de seus entrevistadores, subiram igualmente entre segunda e quarta as referências ao petista e ao deputado federal do PSL. Lula, na terça (26), chegou a 102 mil tuítes, frente a menos de 50 mil de média diária na semana anterior; e Bolsonaro, de média diária de cerca de 35 mil tuítes no mesmo período, foi a 57,8 mil na terça posterior à transmissão do “Roda Viva” com Manuela.

Em relação ao crescimento de Lula, o principal eixo de debate — afora referências associadas a Manuela — foi a condução no Supremo Tribunal Federal do julgamento do seu pedido de soltura. Há intensa mobilização de perfis contra Lula, e não só entre apoiadores de Bolsonaro, com críticas ao STF no caso de soltura do petista e que discutem a posição dos ministros Edson Fachin e Marco Aurelio Mello. Quanto a Bolsonaro, verifica-se correlação mais forte entre o “Roda Viva” e a sua maior presença no Twitter na terça, dada a participação de um de seus coordenadores de campanha.

Em situação de empate técnico com Bolsonaro, de acordo com a última pesquisa eleitoral (divulgada pelo Ibope nesta quinta, 28), Marina Silva persiste pouco citada no Twitter, e sem atrair seguidores ou conduzir temas específicos que a ponham em destaque. No começo do mês, o desempenho de Marina em outra pesquisa de opinião, desta vez do Datafolha, fez com que, de forma temporária, perfis favoráveis a Bolsonaro fizessem críticas à pré-candidata de forma semelhante à ocorrida com Ciro Gomes em maio. Essa breve janela de atenção sobre Marina, contudo, desapareceu, e a representante da Rede nas eleições obteve, como maior pico de menções, repercussão a partir de posição contrária ao porte de armas pela população, no sábado (23): 8,1 mil tuítes.

Outro ator a se destacar no período foi Rodrigo Maia, citado 15,4 mil vezes na sexta (22), embora sob ângulo negativo: repercutiu na imprensa e com muita intensidade nas redes sociais, à esquerda e à direita, a informação de que Maia jantou com Aécio e Temer. O papel do presidente da Câmara na administração da CPI da Lava Jato também foi destaque e objeto de críticas — quase inteiramente a partir de perfis à direita, que relacionam a condução da CPI a articulações por apoio eleitoral com diferentes partidos.

Posicionamentos de presidenciáveis sobre a área econômica provocam críticas nas redes

A pauta econômica em debate nas redes sociais apresenta uma tendência crescente de associação com as eleições, na medida em que arrefecem as discussões acerca dos impactos da greve dos caminhoneiros. Na última semana, vários pré-candidatos estiveram em foco por questões econômicas que geraram considerável repercussão crítica em Twitter, sites de notícia e blogs.

A pré-candidata Manuela D’Ávila obteve especial destaque por sua participação no programa de entrevistas “Roda Viva”. Enquanto as redes mostraram um apoio à defesa de direitos civis por parte da pré-candidata, a temática econômica mobilizou percepções mais difusas e muitas vezes críticas a Manuela. Os comentários versaram, em especial, sobre suas posições com relação à revogação da Reforma Trabalhista e ao reconhecimento de um regime democrático na Venezuela. Alguns perfis também afirmam que Manuela usa informações consideradas imprecisas ou pouco claras quando fala sobre economia.

Também gerou críticas nas redes a divulgação, no final da semana passada, de uma pesquisa do instituto Datafolha mostrando que quase um terço da população acredita que o ex-presidente Lula é o candidato mais preparado para acelerar o crescimento da economia. Os comentários ressaltam especialmente o fato de Lula estar preso.

Enquanto isso, os posicionamentos do deputado federal Jair Bolsonaro foram vistos pelos usuários como contraditórios com os seus sinais para uma política mais liberal na área econômica. Muitos usuários entendem que seus mandatos consecutivos sem produzir projetos de lei considerados relevantes e a presença de sua família na política são fatores que permitem questionar seu cuidado com os recursos públicos.

Já o pré-candidato pelo PDT, Ciro Gomes, também vem sendo fortemente criticado por posicionamentos sobre a área econômica, considerados pelos usuários como pouco claros, sobretudo em relação ao pagamento da dívida pública e à distribuição de impostos sobre consumo para pessoas de baixa renda. Além disso, em menor grau, tiveram repercussão tuítes do pré-candidato a presidente e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobre sua posição de oposição aos extremos políticos e de apoio a mudanças na Previdência. Isso fez com que Meirelles tivesse maior volume de menções que o usual, enquanto pré-candidatos como Geraldo Alckmin e Marina Silva (Rede) tiveram pouco destaque na semana.

Grupos sem alinhamento político e de perfis à esquerda se aproximam na rede em discussões de oposição a Bolsonaro

A configuração do debate sobre os presidenciáveis no Twitter mudou na última semana com a repercussão da entrevista de Manuela D’Ávila ao programa “Roda Viva”, que provocou uma aproximação entre dois grupos até então distintos. O mapa de interações gerado a partir de 774.822 retuítes sobre os pré-candidatos entre os dias 20 e 26 de junho mostra que os perfis que tradicionalmente compartilham sátiras e memes sobre a política em geral, mas sem um alinhamento político claro, acercou-se do grupo tradicionalmente alinhado à esquerda no espectro político.

Tal deslocamento se deu principalmente por conta dos momentos de debate acalorado entre a candidata do PC do B e um dos entrevistadores, Frederico D’Ávila, que é um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro. O debate fez com que grande parte dos perfis que costumeiramente ficam entre a esquerda e a direita, sem tender claramente a nenhum lado (grupo rosa), saísse em defesa de Manuela para fazer oposição às pautas conservadoras defendidas por Bolsonaro e seus apoiadores.


Veja mais sobre: , , ,