O sucesso para desenvolver áreas urbanas degradadas – superando suas desvantagens e utilizando suas vantagens competitivas – requer o compromisso da iniciativa privada, do governo e do terceiro setor

Em seu trabalho The Competitive Advantage of the Inner Cities (A Vantagem Competitiva das Regiões Urbanas Centrais) Michael Porter, professor da Harvard Business School, e um dos mais importantes teóricos da administração, examina a situação das áreas urbanas degradadas dos EUA. Essas regiões são chamadas de Inner Cities porque estão localizadas nas áreas centrais de grandes cidades.

Nessas áreas, a falta de atividade econômica e de empregos resulta não apenas em um severo ciclo de pobreza, mas também em graves problemas sociais como uso de drogas e criminalidade.

O autor Porter sugere uma abordagem radicalmente diferente na busca da revitalização das áreas urbanas degradadas: “Ainda que continuem a desempenhar um papel crítico no atendimento das necessidades humanas e no aprimoramento da educação, os programas sociais precisam reforçar – e não debilitar – uma estratégia econômica coerente. A pergunta a ser formulada é como criar condições para a proliferação e crescimento de empresas nas áreas degradadas e oportunidades de emprego nas adjacências para os residentes locais. É possível criar uma base econômica sustentável nas áreas urbanas degradadas, mas apenas da maneira como foi desenvolvida em outros lugares: através de iniciativa e de investimentos privados, visando ao lucro, com base no auto interesse econômico e na genuína vantagem competitiva – e não através de incentivos artificiais, da caridade ou de injunções governamentais.”

Os empreendimentos e negócios criados nas comunidades devem ser rentáveis e capazes de competir em escala regional ou nacional, servindo não só a comunidade, mas toda a economia ao redor. A base fundamental desse modelo é identificar e explorar vantagens competitivas que possam gerar modelos de negócios lucrativos.

O sucesso no esforço para desenvolver as áreas urbanas degradadas – superando suas desvantagens e utilizando suas vantagens competitivas – requer o compromisso da iniciativa privada, do governo e do terceiro setor.

A conclusão caminha no sentido de que não há solução fácil, mas é preciso encontrar novas formas de enfrentar problemas antigos no combate à violência urbana. Devemos diligenciar o passo seguinte e focalizar o tratamento das favelas do Rio de Janeiro. E, para isso, a inclusão da iniciativa privada se constitui em fator decisivo para uma solução definitiva e sustentável para as áreas degradadas de nosso estado.

 

* Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista da Fundação Getulio Vargas

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Sobre o autor

Marcio Colmerauer
Ex-subsecretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro

Marcio Colmerauer é ex-chefe de Gabinete da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro, e foi Subsecretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro.