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Segurança Pública é principal tema associado a Bolsonaro no Twitter

Grupo de apoio a presidente permanece coeso em discussões no Twitter; núcleos de oposição de fragmentam; Debate sobre Reforma da Previdência segue como principal tópico das discussões sobre economia

há 1 mês

Enquanto a base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas redes permanece coesa e reunida em função dos perfis do presidente e de seus filhos, começam a se vislumbrar mudanças incipientes na organização dos grupos que fazem oposição ao governo. No debate político registrado no Twitter nesta semana, há, por exemplo, menor influência direta do núcleo alinhado ao PT (em vermelho) e subdivisão do grupo rosa, composto por independentes e não associados diretamente a partidos de esquerda.

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Entre os dias 09 e 15 de janeiro, foram registrados 1.507.480 retuítes (a partir de uma base de 2.605.701 tuítes sobre o governo), com percentual geral baixo (4%) de presença de robôs, que foram excluídos da base de dados do mapa de interações. No entanto, no grupo vermelho (12,3% dos perfis e 22,2% das interações) houve volume significativo de interações de perfis automatizados: 8,3% dos retuítes do grupo. No azul, pró-governo (21,5% dos perfis e 44,4% das interações), 3,8% dos retuítes foram feitos por robôs, enquanto nos demais três grupos principais esse percentual não chega a 3% dos retuítes.

O maior grupo do mapa em termos de perfis ainda é o rosa (38,5% dos perfis e 16,8% das interações), que concentra influenciadores da internet, comediantes e perfis fakes de humor. O grupo faz sátiras a decisões e falas do presidente e de membros do governo, em especial questionando a postura de políticos e autoridades antes e depois da vitória nas eleições. Um outro subgrupo que faz uso do humor para se opor ao governo nas redes é o roxo (16,3% dos perfis e 12,3% das interações), que divide alguns dos influenciadores principais do grupo rosa e algumas das temáticas abordadas para fazer críticas, como corrupção. O grupo, no entanto, interage de forma mais direta com artistas e políticos de diferentes correntes de oposição a Bolsonaro, até mesmo com perfis alinhados à direita e que apoiaram o presidente nas eleições. Também dá maior ênfase à repercussão de notícias da imprensa tradicional para falar sobre o início da gestão do presidente.

No grupo vermelho, alinhado a lideranças do PT e, em menor grau, do PSOL, o uso do humor também se faz presente, a partir de engajamentos feitos por Fernando Haddad. Contudo, o teor geral do grupo é mais assertivo ao fazer críticas ao governo, exemplificando casos de contradição em ações políticas. A flexibilização da posse de armas e as nomeações e indicações de primeiro e segundo escalão no governo são os principais destaques temáticos do grupo.

Já na base em azul (a maior do grafo em volume de interações), de apoio a Bolsonaro, o presidente e seus filhos persistem como os influenciadores de maior força, mas outros atores agora — políticos, jornalistas e celebridades da direita — se posicionam melhor entre as publicações de impacto mais amplo. A composição do governo, assuntos de relações exteriores e sobre segurança pública (posse de armas) e forças armadas dominam a discussão de contorno positivo sobre o presidente. Perfis de membros do Poder Judiciário também foram bastante compartilhados nesse grupo, que se posiciona em defesa da operação Lava Jato, dos avanços no combate à corrupção e faz críticas a nomes da classe política tradicional.

Por fim, outro grupo mais próximo a Bolsonaro é o laranja (5,8% dos perfis e 2,7% das interações), que também reúne perfis fakes (contra veículos de imprensa), humoristas e de celebridades da internet. O grupo não se alinha explicitamente em apoio ao governo, mas faz piadas e ironias com críticas ao PT e à esquerda, embora também satirize posições de Bolsonaro e equipe.

O debate no Twitter na semana

Com a interferência das primeiras ações políticas efetivas da gestão Bolsonaro, os debates identitários que dominaram a semana passada, associados à pauta de direitos humanos, perderam parte da força no debate político — embora ainda estejam entre os principais temas associados ao governo. Ao flexibilizar a posse de armas por decreto, Bolsonaro reconduziu a segurança pública ao posto de tópico central das discussões na web tanto entre apoiadores como entre adversários. Essa discussão, inclusive, teve elevado poder de interlocução com outras pautas, como legalização das drogas, índice de feminicídios, combate ao crime organizado e as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Outro assunto que voltou a ganhar espaço no debate foi política externa, a partir de diferentes eventos direta ou indiretamente associados à conjuntura diplomática brasileira: a) a posse do presidente venezuelano, Nicolás Maduro; b) a prisão de Cesare Battisti na Bolívia; c) o “locaute” do governo dos EUA pela disputa entre o presidente Donald Trump e a oposição democrata; e d) o encontro de Bolsonaro com o presidente argentino Mauricio Macri.

Questões econômicas, contudo, perderam espaço entre esta semana e a anterior, em especial por causa da indecisão sobre os movimentos políticos para se aprovar a Reforma da Previdência. Tópicos previdenciários e fiscais ainda são os mais relevantes da pauta (sobretudo o debate sobre a inclusão dos militares na reforma), mas outras agendas específicas têm se destacado nas redes: a ida de Bolsonaro ao fórum de Davos, na Suíça; a promessa de divulgação pelo BNDES de seus maiores devedores; e as revisões contratuais anunciadas pelo governo.