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Tiroteios na cidade do Rio mobilizam 4,4 mil postagens no Twitter, aponta levantamento da FGV/DAPP

Entre quarta e sexta-feira, operações policiais e confrontos em favelas motivaram 4,4 mil postagens na rede social, indicando a relevância da pauta de segurança no debate público

há 3 meses por Ana Luísa Azevedo, Dalby Dienstbach, Danielle Sanches

Recentes confrontos registrados nesta semana em favelas do Rio de Janeiro, e que acarretaram no fechamento de vias da cidade, como a Linha Amarela e a autoestrada Lagoa-Barra, mobilizaram 4,4 mil postagens no Twitter entre as 15h de quarta-feira (24/01) e as 8h desta sexta-feira (26/01). Levantamento da FGV/DAPP aponta que os tiroteios ou disparos de armas de fogo ocorridos, neste período, se concentraram nas localidades da Rocinha, Pavão-Pavãozinho (ambas na Zona Sul), Jacarezinho (Zona Norte) e Cidade de Deus (Zona Oeste) e mobilizaram 33 menções por minuto na rede social no momento em que a discussão alcançou seu ápice, na tarde do dia 25/01. O volume  evidencia a representatividade da pauta de segurança no debate público e, também, reflete o impacto da violência no cotidiano das comunidades e das áreas no seu entorno.

Fonte: Elaboração FGV/DAPP.

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A análise ainda aponta que a Rocinha predominou como a localidade mais citada nas postagens, aparecendo com uma frequência de 45% do debate, ou 1.980 mil menções. Entre as outras dez palavras mais recorrentes estão ainda: “tiros” (17%); “tiroteio” (15%); “operação” (14%); “morro” (13%); “comunidade” (11%); “tiro” (11%); “policial” (10%); “região” (7%); e “barra” (7%), referente à autoestrada carioca Lagoa-Barra, que liga a Zona Sul à Zona Oeste litorânea da cidade.

A postagem mais compartilhada, com mais de 400 retuítes até o fechamento desta análise, trata da Rocinha e destaca a hashtag #rocinhapedepaz, utilizada em 4% do debate, atrás apenas de #tirosrj (6%), que, a propósito, é a hashtag mais utilizada. Vale ressaltar que a região, desde o ano passado, é alvo de confrontos e operações policiais contra o tráfico de drogas.

 

Já os cinco emojis mais usados no debate foram pomba da paz (2,9%);  oração (1,6%); jornal (1,4%); bandeira branca (1,4%) e sirene luminosa (1,2%). O uso das imagens relaciona-se a menções frequentes sobre desejo de paz e descontentamento com o direito de ir e vir cerceado, indicando a percepção dos moradores sobre o tema. Esse debate nas redes sociais permite identificar o sentimento de insegurança gerado a partir de eventos que envolvam tiroteios, seja por confrontos entre facções ou por operações policiais, e como seus reflexos impactam na rotina da população da cidade do Rio de Janeiro.

As cinco contas mais mencionadas, respondidas e retuitadas pertencem à perfis institucionais de caráter informativo, indicando a relevância, para o debate nas redes, dos impactos dos confrontos no dia a dia da população. São eles: a plataforma virtual Fogo Cruzado (@fogocruzadoapp); a emissora de rádio BandNews FM – Rio (@bandnewsfmrio);  o Centro de Operações do Rio de Janeiro (@OperaçõesRio); a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (@PMERJ); e o aplicativo Onde Tem Tiroteio-RJ (@RJ_OTT).

O fato das contas institucionais serem as mais compartilhadas indica uma preocupação dos usuários em divulgarem em suas contas além da indignação com a situação, alertar as pessoas que fazem parte da sua rede sobre o perigo do tiroteio na região e chamar atenção para as consequências destes eventos na mobilidade urbana.

Nesse sentido, observa-se que a ocorrência de tiroteios, conforme visto na análise realizada, envolve outros atores além da figura policial, impactando em questões de trânsito, interdições de vias, fechamento de instituições de ensino ou estabelecimentos comerciais, até na interrupção do fornecimento de serviços básicos. Dessa forma, o monitoramento de redes sociais pode ser utilizado como uma fonte de informação para medir a percepção popular sobre os eventos de segurança pública.

Importante notar ainda que as informações coletadas nesse tipo de análise trazem à tona dados que não estarão obrigatoriamente nos registros oficiais e que pela sua dinâmica de temporalidade podem auxiliar os agentes públicos a direcionarem seu processo de tomada de decisão no planejamento de ações articuladas entre diferentes instâncias.

 


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