Fonte de Dados: Receita dos Candidatos em 2014 disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para consolidar esse objetivo, os dados de prestação de contas final dos candidatos, fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram tratados de forma a deixar o mais clara possível a origem dos recursos de campanha e a minimizar a ocorrência de erros de preenchimento presentes nos dados. Os passos tomados estão apresentados na última seção deste documento.

Uma vez montado o banco de dados de financiamento eleitoral, o disponibilizamos para a navegação do usuário utilizando a metodologia do Mosaico Orçamentário. Neste, pode-se verificar as doações feitas aos candidatos através de diferentes segmentações escolhidas pelo usuário. A ferramenta permite a navegação pela prestação de contas de todos os candidatos à Presidência da República, às governadorias dos Estados, aos cargos de senadores da República e às cadeiras de deputados federais. Para cada disputa, a estrutura da ferramenta “Mosaico Eleitoral” permite a navegação pelo banco de dados a partir de dois recortes principais: por Setor e por Partido.

POR SETOR ECONÔMICO

Na navegação por Setor, o objeto principal são as doações de setores econômicos e de empresas. A visualização é iniciada pelo montante doado por cada um desses setores integrantes da tipologia apresentada no fim deste documento. Quando se seleciona o setor, tem-se a quantidade de recursos doados pelas empresas que compõem aquele setor. Selecionada uma das empresas, pode-se ver a distribuição por partidos políticos dos recursos doados pela empresa escolhida; e, por fim, selecionado o partido político, é exibida a distribuição dos recursos daquela empresa pelos candidatos do partido escolhido.

Doações advindas de partidos políticos e de pessoas físicas são consideradas um setor. Pela quantidade de doações, mais de 44 mil no caso dos candidatos a deputado federal, por exemplo, escolheu-se não mostrar a individualização das doações vindas de pessoas físicas cujos valores foram inferiores a 50 mil reais. Outros recortes de doadores também foram criados para facilitar a visualização dos dados.

POR PARTIDO POLÍTICO

Na navegação por partido político, o objeto principal são as agremiações partidárias e os candidatos, e a visualização é iniciada pelo partido. Escolhendo um dos partidos apresentados, abre-se a distribuição de receita de campanha dos candidatos. Quando se escolhe um candidato, é possível verificar o peso de cada setor econômico dentro das doações recebidas pelo mesmo. Por fim, ao escolher um setor, pode-se verificar as doações das empresas específicas.

BANCO DE DADOS

Para consolidar esse objetivo, os dados de prestação de contas final dos candidatos, fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram tratados de forma a deixar a mais clara possível a origem dos recursos de campanha e a minimizar a ocorrência de erros de preenchimento presentes nos dados.

O primeiro passo no tratamento dos dados foi o desenvolvimento de uma tipologia de setores econômicos. O banco de dados do TSE fornece uma classificação de empresas em setores com mais de 700 entradas diferentes. Para simplificar a compreensão dos dados, as mais de 700 entradas foram reclassificadas em uma nova tipologia com 31 categorias, etodas as doações foram incluídas em alguma das categorias abaixo. Para as empresas que não continham, nos dados do TSE, a designação de um setor econômico, houve a pesquisa junto à Receita Federal de sua atividade econômica principal; posteriormente, atribuiu-se uma classificação dentro da tipologia construída, que segue abaixo.


Tabela 1. Tipologia de Setores de doadores de campanha


    Categoria
  • Agropecuária e relacionados
  • Energia, Petróleo e Derivados, Gás
  • Extração Mineral, Siderurgia, Metalurgia, Produtos de Metal
  • Construção, Engenharia e Infraestrutura Urbana
  • Comércio em geral
  • Imobiliários
  • Financeiros, Seguros, Consórcios
  • Transporte, Logística, Armazenagem
  • Industria Alimentícia
  • Bebidas
  • Têxtil, Estofados e Calçados/Couro
  • Industria Automobilística e relacionados
  • Eletrodomésticos, eletroeletrônica
  • Informação, Comunicação e TIC (Tecnologias da informação e comunicação)
  • Artes, Cultura, Esporte/Recreação, Turismo/hotéis
  • Educação, Pesquisa e Desenvolvimento
  • Saúde
  • Químicos, Farmacêuticos, Cosméticos
  • Máquinas, Equipamentos e outros equipamentos de transporte
  • Outros Serviços
  • Outras atividades industriais
  • Holdings, sociedades de participação
  • Associações da sociedade civil
  • Segurança e Material bélico
  • Partidos Políticos
  • Borracha, Plástico, Papel/Celulose e Minerais não metálicos
  • Apoio Administrativo, Consultoria, Advocacia
  • Pessoa Física
  • Não especificado
  • Recursos de origens não identificadas
  • Rendimentos de aplicações financeiras

Grande parte das doações eleitorais nas eleições de 2014 envolvia não apenas a relação entre empresa doadora e candidato, mas também os partidos políticos. Quantidade considerável de recursos foi doada pelas empresas aos partidos políticos, que então repassavam o dinheiro ao candidato. O TSE, de forma a mostrar claramente a origem desses recursos, põe nos dados duas identidades para a origem do recurso: a de doador e a de doador primário. Para consolidar qual a origem do recurso em questão, escolhemos mostrar o doador originário do recurso sempre que o caminho até o candidato fosse triangulado pelo partido político; e optamos pela variável “doador” quando isso não ocorrer. Para indicar qual caminho a doação percorreu, houve a classificação entre doação direta ou não.

Após essas intervenções principais no banco de dados, foram feitas pequenas regras para tornar o dado apresentado ainda mais claro. Por fim de reprodutibilidade, apresentamos as regras aplicadas ao banco original, e nenhuma das variáveis originais do banco do TSE sofreu alteração, com as classificações tipológicas desenvolvidas em novas colunas:



1. Se o doador primário possuísse o valor #NULO no campo de CPF/CNPJ do doador, escolhemos apresentar na tipologia o valor presente na variável “Tipo Receita”, o que gerou a introdução da categoria “Recursos de origem não identificadas”.

2. No caso de doação indireta e do CPF/CNPJ do doador ter o valor #NULO no banco de dados, escolhemos apresentar a variável “Fonte Recurso” no campo da categoria. Essa regra introduziu os valores “Fundo Partidário” e “Rendimentos de aplicações financeiras”. Dessa forma, recursos com falta de informação ou oriundos de rendimentos financeiros são mais bem visualizados.

3. Os valores “Outros Recursos não descritos” que passaram pelos partidos políticos e os valores “Fundo Partidário” foram incluídos na categoria de setor “Partidos Políticos”.

4. Todos os casos que não receberam alguma tipologia pelo processo acima, ou seja, tivessem valor “CPF/CNPJ” válido e não possuíssem classificação em setores, foram incluídos na categoria “Pessoa Física”. Observação humana foi utilizada para verificar esse último passo.

5. Como todas as classificações “Nulo” eram de recursos que passaram pelo partido antes de chegar ao candidato, muitas com origem em outros candidatos, essas foram reclassificadas como do setor “Partidos Políticos”, com o doador “Tipo de gasto não especificado”.


Na consolidação dos dados do doador as regras foram as seguintes:


6. Caso a classificação da tipologia fosse “Não especificado”, “Recursos de origens não identificadas” ou “Rendimentos de aplicações financeiras”, esse mesmo valor foi mostrado na variável doador.

7. Caso a doação estivesse classificada na categoria “Partido Político” e a sua variável “Fonte Recurso” fosse o valor “Fundo Partidário”, esse último foi apresentado como doador.

8. Ainda, se a categoria da doação for “Partidos Políticos” e a “Fonte Recurso” for “Outros Recursos Não Descritos”, apresentamos como doador os valores da variável “Tipo Recurso”, incluindo a possibilidade que os recursos apareçam como originários de outros candidatos/comitês ou do próprio partido político.

9. Caso os recursos de “Pessoa Física” fossem classificados na variável “Tipo Recurso” como “Recursos Próprios”, ou seja, com origem no patrimônio do próprio candidato, esse valor foi demonstrado como doador.

10. Empresas que, dada a utilização da classificação prévia do TSE, estivessem incluídas em mais de um setor, tiveram seus valores consolidados para apenas uma classificação da tipologia. Optou-se pela área considerada principal da atividade econômica da empresa.