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Voto impresso mobiliza mais de 230 mil menções em 4 meses no Twitter

Estabelecido em minirreforma eleitoral de 2015, voto impresso provoca discussão majoritariamente favorável no Twitter; Bolsonaro e seus filhos impulsionaram 7% do debate

há 4 meses

Rio de Janeiro – Manhã de votação com urnas biométricas, no Colégio Itapuca, em Niteroi. (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Debates sobre o uso do voto impresso nas urnas eletrônicas geraram mais de 230 mil tuítes entre 22 de fevereiro e 15 de junho deste ano, mobilizando cerca de 30 mil usuários da rede social. A medida foi estabelecida pela minirreforma eleitoral de 2015 (lei 13.165/2015), aprovada com dificuldade pelo Congresso, e voltou a ser discutida no final de 2017, em virtude da iminência das eleições. No mesmo período, o Bolsa Família — usualmente objeto de polêmica entre críticos e defensores — mobilizou a metade: 122 mil menções.

O debate teve, no período, significativa associação com apoiadores do deputado federal Jair Bolsonaro. Só a família Bolsonaro é responsável diretamente por movimentar 7% dos retuítes sobre o tema, o que equivale a 10.454 retuítes de publicações de Jair Bolsonaro e seus três filhos. Entre os comentários sobre a família, estão afirmações de que as decisões do TSE e do STF atentariam propositalmente contra sua vitória nas eleições.

A discussão se concentrou em dois momentos, ambos com forte mobilização dos usuários a favor da implementação da impressão. Em primeiro lugar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, em março de 2018, que 5% das urnas do país imprimiriam os votos, argumentando que uma implementação mais ampla geraria gastos excessivos para o erário.

Usuários da rede social questionaram as razões apresentadas pelo TSE, contestando a falta de dinheiro para investimento nas eleições. Também houve críticas, que foram impulsionadas com o uso das hashtags #TSEmentiu e #TSEcumpraalei, como forma de inferir que a decisão não era uma vitória, mas uma falsa verdade. Isso porque portais de notícias divulgaram que o tribunal teria aprovado o voto impresso sem destacar que a implementação ocorreria apenas em uma parcela pequena dos casos.

Evolução do debate no Twitter sobre voto impresso


Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Acalorando os debates, em um segundo momento, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 6 de junho, suspender por medida cautelar a aplicabilidade do voto impresso, porque entendeu que a implementação colocaria em risco o sigilo do voto devido à logística da impressão. Em resposta, os usuários reagiram, e a mobilização gerou o maior pico de menções do período. Entre os dias 6 e 7 de junho, foram cerca de 57.000 menções ao tema. A segurança das urnas foi amplamente questionada pela audiência, que destacou o risco de manipulação do resultado das eleições no caso da não implementação do voto impresso. Os usuários também questionaram a legitimidade ética do STF para decidir sobre o tema e compararam o Brasil com a Venezuela e a Bolívia, contestando a confiabilidade não apenas do processo eleitoral, mas das instituições judiciais do país.

Cabe ressaltar ainda o aumento no volume de menções sobre o tema registrado entre os dias 23 e 29 de maio, oriundos do posicionamento de alguns caminhoneiros que colocaram o voto impresso como uma das reivindicações da greve da categoria. Neste contexto, há destaque para a publicação do perfil @claudioedantas compartilhando texto do portal “O Antagonista” sobre o assunto.

Pressão sobre as instituições

O sentimento das publicações no Twitter sobre as instituições judiciais no contexto da discussão do voto impresso foi negativo. Usuários, momentos antes e após a decisão do TSE, criticaram em 42,5% das menções a decisão de adotar o voto impresso apenas em alguns colégios eleitorais. Já em relação ao STF, o sentimento negativo foi ainda maior: 62% dos usuários criticaram ativamente a decisão do tribunal de suspender o voto impresso. Além disso, as menções neutras, em ambos os casos, defenderam a mudança no processo eleitoral, mas sem clara oposição ao Judiciário.

Em relação ao TSE

Em relação ao STF

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Atores em destaque

As discussões também foram mobilizadas, além da família Bolsonaro e seus apoiadores, pelos perfis @Biakicis e @Ezequiasns. A primeira, uma ex-procuradora situada em Brasília, foi a mais retuitada no período, sobretudo devido à divulgação da sua participação em audiências públicas realizadas pelo TSE e pelo STF sobre a implementação do voto impresso. A usuária mobilizou ao todo 6.149 compartilhamentos, a maioria enfatizando a importância de um mecanismo de auditoria capaz de garantir a transparência do processo eleitoral. Já entre os veículos jornalísticos e portais de notícias, houve destaque, principalmente, para os portais “Conexão Política” e “O Antagonista”, ambos retuitados mais de duas mil vezes.

Quanto à detecção de atividade automatizada, o uso de robôs no engajamento sobre o voto impresso não foi significativo. Também não se verificou forte mobilização de grupos, no Twitter, contrários ao voto impresso e/ou favoráveis às decisões do TSE e do STF sobre a aplicabilidade da impressão nas eleições de outubro, demonstrando que o assunto se restringe a um nicho de usuários da rede social.


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